Jesus quis dizer que ele tem autoridade pra mostrar o verdadeiro sentido do sábado. Ele disse isso quando líderes religiosos acusaram seus discípulos de desobedecer à lei porque, num sábado, colheram espigas pra comer enquanto caminhavam (Mateus 12:1-8; Marcos 2:23-28; Lucas 6:1-5).
Na lei dada a Israel, o sábado era um dia separado pra descansar do trabalho (Êxodo 20:8-11). O problema não era o descanso. Os líderes que confrontaram Jesus entendiam que até o gesto dos discípulos de colher espigas violava o sábado. Jesus respondeu mostrando que aquela interpretação não levava em conta as necessidades das pessoas nem o propósito da lei.
Ele lembrou um episódio em que Davi e seus companheiros, estando com fome, comeram pães que normalmente eram reservados aos sacerdotes (1 Samuel 21:1-6). Também mencionou que os sacerdotes trabalhavam no templo aos sábados sem, por isso, serem considerados culpados (Mateus 12:3-5). Jesus não estava dizendo que a lei de Deus não importava. Estava mostrando que seus acusadores a aplicavam de um jeito que deixava de lado coisas importantes, como a misericórdia (Mateus 12:7).
É nesse contexto que Jesus afirma ser o Senhor do sábado. Em Marcos 2:27-28, ele também explica que o sábado foi feito para o bem das pessoas, não para fazer delas escravas de exigências humanas. Se aqueles líderes diziam que os discípulos tinham pecado, Jesus tinha autoridade pra dizer que eles eram inocentes. E, ao curar pessoas no sábado, mostrou que fazer o bem nesse dia estava de acordo com a vontade de Deus (Mateus 12:9-12).
Essa autoridade não era apenas a de um mestre que interpretava bem a lei. Jesus afirmou que era maior que o templo (Mateus 12:6) e se apresentou como Senhor de uma instituição estabelecida por Deus. Isso combina com o que o Novo Testamento ensina sobre ele: todas as coisas foram criadas por meio dele (João 1:3). Por isso, chamar-se Senhor do sábado é uma afirmação importante sobre quem Jesus é.
Isso não significa simplesmente que Jesus podia desprezar o sábado. Significa que ele podia corrigir o modo como as pessoas o entendiam e mostrar o que Deus queria com esse mandamento. O descanso não devia impedir a misericórdia nem tornar culpado quem não havia cometido pecado.
E o que isso significa pra nós? Cristãos concordam que não conquistamos a aceitação de Deus por cumprir regras de descanso: somos salvos pela graça, por meio da fé em Cristo (Efésios 2:8-9). Há, porém, diferenças entre cristãos quanto à maneira de aplicar hoje o mandamento do sábado. Alguns entendem que ainda deve haver um dia semanal separado pra descanso e adoração; outros entendem que a obrigação de guardar o sábado da antiga aliança não se impõe aos cristãos, especialmente à luz de Colossenses 2:16-17 e Romanos 14:5-6.
O ponto principal da fala de Jesus, porém, é claro: o sábado não é senhor de Jesus; Jesus é Senhor do sábado. Por isso, é nele que buscamos entender o propósito desse dia — e é nele, não na tentativa de merecer o favor de Deus pelo nosso esforço, que encontramos o descanso mais profundo (Mateus 11:28-30).