João está descrevendo a nova criação de Deus quando diz que “não havia mais mar” (Apocalipse 21:1). Isso pode significar que a nova terra não terá oceanos como os que conhecemos. Mas também pode ser uma maneira de mostrar que, naquele mundo, não haverá mais nada daquilo que o mar representa em outras partes do Apocalipse: perigo, ameaça e oposição a Deus. O texto não explica qual dessas possibilidades João tinha em mente, por isso é bom não afirmar mais do que ele afirma.
A leitura literal é simples: João viu uma nova terra sem mar. E isso não significaria uma terra sem água. Logo depois, ele descreve um rio na nova Jerusalém (Apocalipse 22:1). Seria possível, portanto, haver água sem os grandes mares de hoje. Ainda assim, o versículo não dá detalhes suficientes pra sabermos como será a geografia da nova terra.
A outra possibilidade leva em conta o tipo de livro que estamos lendo. Apocalipse conta o que João viu por meio de imagens que também comunicam um significado. Em Apocalipse 13:1, por exemplo, ele vê uma besta surgir do mar, representando um poder que se opõe a Deus. Isso não prova, por si só, que o mar de Apocalipse 21:1 seja apenas um símbolo. Mas ajuda a entender por que alguns cristãos veem no fim do mar uma forma de dizer que toda ameaça acabou.
O que vem em seguida torna essa certeza muito clara. Deus viverá com seu povo, e não haverá mais morte, luto, choro nem dor (Apocalipse 21:3-4). Assim, mesmo que a frase também descreva uma mudança real na terra, ela faz parte de uma promessa maior: Deus fará um mundo onde seu povo viverá em segurança, sem sofrimento e sem oposição ao seu governo.
Então, haverá oceanos na nova terra? Apocalipse 21:1 permite entender que não, mas não apresenta detalhes suficientes pra encerrar a questão. O ponto que podemos afirmar com segurança é este: na nova criação, nada do que hoje causa medo ou sofrimento poderá tirar a paz daqueles que estiverem com Deus.