Significa que, naquele ponto do relato, a terra ainda não estava organizada como o lugar habitável que aparece ao fim da criação. Gênesis descreve escuridão, águas e o Espírito de Deus presente. Em seguida, mostra Deus preparando esse mundo e enchendo-o de vida.
As palavras hebraicas traduzidas por “sem forma e vazia” passam a ideia de algo ainda não organizado e não ocupado. Não querem dizer que a terra não existia. Afinal, o versículo anterior já diz que Deus criou os céus e a terra. Também não dizem, por si só, que a terra tinha sido destruída. O versículo 2 descreve sua condição naquele momento; os versículos seguintes contam o que Deus fez a partir dali.
A sequência ajuda a entender a expressão. Deus faz surgir a luz, separa as águas e faz aparecer a terra seca. Depois, o relato apresenta plantas, animais e seres humanos. Assim, aquilo que ainda não estava preparado para ser habitado passa a ter lugares definidos e seres vivos neles.
Existe uma interpretação chamada teoria da lacuna. Segundo ela, teria havido um longo período entre Gênesis 1:1 e 1:2, durante o qual alguma coisa aconteceu e deixou a terra “sem forma e vazia”. Mas o texto não relata uma criação anterior completa nem uma destruição entre esses versículos. Por isso, essa teoria depende de acontecimentos que Gênesis não menciona.
A maneira mais direta de ler a passagem é entender que Gênesis 1:2 apresenta a terra no início da obra descrita no capítulo: ainda sem a organização e a vida que Deus lhe daria. O interesse do relato não é explicar a idade da terra, mas mostrar que foi Deus quem criou o mundo e o preparou para a vida.