Sim. Muitos criacionistas aceitam a seleção natural como um processo real. O que eles discutem é o que esse processo pode explicar.
Seleção natural acontece quando uma característica herdada ajuda um ser vivo a sobreviver e deixar descendentes em determinado ambiente. Com o passar das gerações, essa característica pode se tornar mais comum. Isso não significa que o animal mudou porque “precisou” mudar. Significa que alguns indivíduos já tinham uma característica vantajosa naquela situação e, por isso, tiveram mais chances de transmiti-la aos seus descendentes.
Um exemplo conhecido é o das mariposas claras e escuras estudadas na Inglaterra. Em lugares onde a poluição escureceu os troncos das árvores, as mariposas escuras ficavam menos visíveis para as aves e se tornaram mais comuns. Quando as condições mudaram, a proporção entre as formas claras e escuras também mudou. As duas formas pertencem à mesma espécie. O exemplo mostra como o ambiente pode favorecer características diferentes, não que uma mariposa tenha decidido mudar de cor.
É importante fazer uma distinção: a seleção natural favorece ou desfavorece características herdáveis; ela não cria, por si só, todas as variações sobre as quais atua. Essas variações podem ter diferentes origens, inclusive mutações. Por isso, não seria correto dizer que a seleção natural só age sobre genes que sempre existiram, nem que aceitar a seleção natural exige rejeitar a criação.
A divergência aparece quando se pergunta até onde essas mudanças podem chegar. Criacionistas costumam entender que a seleção natural ajuda a explicar adaptações e diferenças entre seres vivos, mas não consideram que ela, junto com outros processos naturais, explique toda a diversidade da vida a partir de ancestrais comuns. Já a biologia evolutiva entende a seleção natural como um dos processos envolvidos nessa história mais ampla. Assim, concordar que a seleção natural acontece não resolve, sozinho, toda a discussão sobre as origens.
A Bíblia afirma que Deus criou os seres vivos e que a criação está sob seus cuidados (Gênesis 1:20-25; Salmo 24:1; Jó 12:7-10). Ela não explica os mecanismos genéticos da seleção natural, nem diz quando eles começaram a agir. Portanto, um cristão pode reconhecer esse processo na natureza sem afirmar que uma passagem bíblica descreve seu funcionamento. A resposta curta é esta: criacionistas podem aceitar a seleção natural como explicação para adaptações, embora discordem da conclusão de que ela explique, por si só, a origem de toda a vida.