Sedevacantismo é a ideia de que a Igreja Católica está, hoje, sem um papa legítimo. O nome vem de uma expressão em latim que significa “a cadeira está vazia”. Nesse caso, a “cadeira” representa o cargo de papa.
Quem defende essa posição geralmente se considera católico. A questão, pra essas pessoas, não é se alguém foi eleito papa ou passou a exercer publicamente a função. Elas acreditam que, se essa pessoa aceita ou ensina uma heresia — isto é, algo contrário à fé cristã —, ela não pode ocupar legitimamente o cargo. Assim, haveria um papa reconhecido pela maioria dos católicos, mas não um papa válido.
A discussão ganhou força por causa do Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965. Esse concílio aprovou mudanças na vida da Igreja Católica e apresentou ensinamentos sobre temas como a relação com outros cristãos e com outras religiões. Muitos sedevacantistas consideram que essas posições se afastaram da fé católica anterior. Por isso, rejeitam os papas ligados a esse período. Eles não concordam todos sobre a data exata em que a sede papal teria ficado vaga; muitos apontam para a morte de Pio XII, em 1958.
A grande maioria dos católicos não aceita essa conclusão. Para ela, discordar de um papa ou considerar que ele cometeu erros não significa que deixou de ser papa. Também é importante não confundir essa discussão com a infalibilidade papal. Na doutrina católica, ela não quer dizer que o papa nunca peca ou nunca erra. Refere-se a condições específicas em que ele ensina oficialmente sobre fé e moral; não exige que a declaração seja feita junto com os cardeais.
Do ponto de vista bíblico, a pergunta sobre quem pode ser papa depende de outra questão: Jesus estabeleceu um cargo de autoridade sobre toda a Igreja que deveria passar de um sucessor a outro? Católicos recorrem, entre outras passagens, a Mateus 16:18-19 para defender o papel especial de Pedro e a continuidade dessa autoridade. Cristãos evangélicos, em geral, entendem essa passagem de outra maneira e não veem no Novo Testamento uma ordem pra reconhecer um papa como chefe de toda a Igreja. O Novo Testamento apresenta Jesus como cabeça da Igreja (Efésios 1:22-23) e mostra que as igrejas tinham líderes responsáveis por ensiná-las e cuidar delas (1 Pedro 5:1-3).
Portanto, sedevacantismo não significa simplesmente criticar um papa. É a posição, minoritária dentro do catolicismo, de que os papas reconhecidos nas últimas décadas não ocupam legitimamente o cargo. E essa discussão só faz sentido dentro de uma visão de Igreja que considera o papado necessário.