Deus estava dizendo a Adão e Eva que tivessem filhos e que, com o passar das gerações, seus descendentes enchessem a terra. Em Gênesis 1:28, essa orientação vem junto com uma bênção e com uma tarefa: viver na terra que Deus havia criado, cuidar dela e usar seus recursos sob a autoridade dele.
Isso nos ajuda a entender que ter filhos fazia parte do propósito de Deus pra humanidade, mas não era a única coisa que ele esperava dos seres humanos. O mesmo versículo fala em encher a terra, sujeitá-la e exercer domínio sobre os animais. Esse domínio não é uma licença pra destruir a criação. Como Deus havia colocado o homem no jardim pra cultivá-lo e guardá-lo, a responsabilidade humana incluía cuidar daquilo que ele fez (Gênesis 2:15).
Mas será que isso significa que toda pessoa precisa se casar e ter filhos? Não. Gênesis 1:28 foi dirigido ao primeiro casal no começo da história humana. A Bíblia mostra que a humanidade deveria se multiplicar, mas não trata a maternidade ou a paternidade como obrigação de cada pessoa. Jesus não se casou nem teve filhos. Paulo também ensinou que alguém pode permanecer solteiro e dedicar sua vida ao serviço de Deus, assim como pode se casar (Mateus 19:12; 1 Coríntios 7:32-35).
Também não seria correto concluir que um casal que não consegue ter filhos desobedeceu a Deus. A Bíblia chama os filhos de bênção, mas não condena a infertilidade como pecado (Salmo 127:3). E Gênesis 1:28, por si só, não resolve todas as perguntas sobre planejamento familiar.
Então, a resposta mais direta é esta: Deus abençoou Adão e Eva com a capacidade de formar uma família e lhes deu a tarefa de povoar a terra e cuidar dela. Ter filhos continua sendo algo bom e valioso. Mas o valor de uma pessoa diante de Deus não depende de ela ter filhos. Jesus também chamou seus seguidores a ajudar outras pessoas a conhecê-lo e a segui-lo — uma tarefa aberta a todos, sejam pais ou não (Mateus 28:19-20).