Jesus repetiu as palavras do pai porque queria chamar a atenção dele para uma dúvida importante: depois de ver os discípulos falharem, aquele homem já não sabia se Jesus conseguiria ajudar seu filho. A resposta de Jesus não foi uma bronca contra um pai aflito. Foi um convite pra confiar nele.
O menino sofria havia muito tempo. Segundo o relato, um espírito maligno o deixava sem fala e provocava crises violentas, que às vezes o colocavam em perigo. O pai o levou aos discípulos de Jesus, mas eles não conseguiram expulsar o espírito. Então, diante de Jesus, pediu ajuda com uma condição: *se* ele pudesse fazer alguma coisa, que tivesse compaixão dos dois (Marcos 9:17-22).
É esse “se” que Jesus retoma em Marcos 9:23. O pai estava inseguro quanto à capacidade de Jesus. Jesus o chama a confiar, em vez de concluir, pelo fracasso dos discípulos, que não havia mais esperança. Ele diz que tudo é possível para quem crê. Isso não significa que a fé da pessoa produz o milagre. O poder é de Deus; crer é confiar nele e levar a ele aquilo que nós não conseguimos resolver.
A resposta do pai mostra como ele entendeu esse convite. Ele diz que crê, mas pede ajuda justamente porque sua fé ainda é fraca (Marcos 9:24). É uma resposta sincera: ele não finge ter certeza absoluta, nem deixa a dúvida impedi-lo de pedir ajuda. Jesus então expulsa o espírito e devolve o menino ao pai (Marcos 9:25-27). O relato não apresenta a fé perfeita como condição pra Jesus agir.
Também não devemos entender “tudo é possível” como uma promessa de que receberemos qualquer coisa que desejarmos, desde que acreditemos o bastante. O episódio mostra que Jesus tinha poder pra ajudar aquele menino e chamou seu pai a confiar nele. Não ensina que a fé obriga Deus a atender todo pedido do jeito que esperamos.
Por isso, a pergunta de Jesus continua sendo importante. Quando a situação parece impossível, podemos procurar a ajuda de Deus sem precisar esconder nossas dúvidas. O pai daquele menino fez exatamente isso: confiou em Jesus e pediu ajuda até pra conseguir confiar mais.