Ester quis dizer que iria tentar salvar seu povo, mesmo sabendo que poderia ser morta por isso. Ela não queria morrer nem tinha certeza de que tudo daria certo. Depois de avaliar o perigo, decidiu agir apesar dele.
Naquele tempo, Ester era rainha da Pérsia, mas o rei ainda não sabia que ela era judia. Hamã, um homem poderoso no governo, havia conseguido que o rei autorizasse a morte dos judeus em todo o império. Mardoqueu, parente de Ester, pediu que ela falasse com o rei em favor deles (Ester 3:8-13; 4:7-8).
O problema era que ninguém podia se apresentar ao rei sem ser chamado. Quem fizesse isso podia ser condenado à morte, a menos que o rei estendesse seu cetro em sinal de aceitação. Ester não era chamada havia trinta dias. Por isso, quando explicou o risco a Mardoqueu, não estava dando uma desculpa: sua vida realmente estaria em perigo (Ester 4:11).
Mardoqueu então a fez pensar em duas coisas. Ficar calada não garantiria que ela escapasse do decreto contra os judeus. E talvez sua posição de rainha lhe desse justamente a oportunidade de ajudar naquele momento. Ele não afirmou saber com certeza por que Ester havia se tornado rainha; apresentou essa possibilidade pra que ela considerasse sua responsabilidade (Ester 4:13-14).
Ester tomou uma decisão. Pediu que os judeus de Susã jejuassem por ela durante três dias e disse que ela e suas servas também jejuariam. Depois, iria ao rei, mesmo contra a lei. É nesse ponto que ela diz: “Se eu tiver de morrer, morrerei” (Ester 4:15-16).
Essas palavras mostram coragem, não ausência de medo. Ester não sabia se o rei a receberia. Também não tratou sua vida como algo sem valor: antes de agir, buscou o apoio de seu povo e se preparou. Mas entendeu que o risco de ficar calada não podia ser sua única preocupação quando tantas vidas estavam ameaçadas.
O rei a recebeu, e Ester pôde denunciar a trama de Hamã. O livro conta como os judeus receberam meios de se defender e foram livrados (Ester 5:1-2; 7:3-6; 8:8-11; 9:1-2). Mas, quando Ester tomou sua decisão, ela ainda não conhecia esse desfecho. É isso que dá força à sua frase: ela escolheu fazer o que precisava ser feito sem ter garantia de que sobreviveria.
Pra nós, a lição não é procurar situações perigosas nem presumir que Deus sempre nos protegerá de qualquer consequência. É não deixar que o medo nos impeça de fazer o que é certo e de ajudar quem precisa, mesmo quando isso nos custa alguma coisa.