A resposta mais honesta é: a Bíblia não diz por que Deus permitiu aquela tentação. Ela conta o que aconteceu, mostra que Adão e Eva eram responsáveis pela escolha que fizeram e revela o que Deus fez depois. Mas não explica por que ele não impediu a serpente de falar com Eva.
Antes da tentação, Deus já tinha dado uma ordem ao primeiro casal. Eles podiam comer das árvores do jardim, com uma exceção: não deveriam comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus também os avisou das consequências da desobediência (Gênesis 2:16-17). Portanto, quando a serpente questionou o que Deus havia dito, Adão e Eva precisaram decidir se confiariam nele. Eles desobedeceram, e Gênesis 3 apresenta as consequências dessa decisão.
O relato de Gênesis chama o tentador de *serpente*. O Novo Testamento associa a antiga serpente ao Diabo, Satanás (Apocalipse 12:9; 20:2). Isso nos ajuda a entender quem estava por trás da tentação, mas ainda não responde por que Deus a permitiu.
Uma explicação possível é que Deus deu ao casal uma oportunidade real de obedecer à sua palavra mesmo diante de uma voz contrária. Isso combina com o relato, mas precisamos ter cuidado: Gênesis não afirma que Deus deixou Satanás entrar no jardim com o objetivo de testar Adão e Eva. Também não precisamos dizer que o amor só seria verdadeiro se eles fossem tentados. A Bíblia não apresenta essa explicação como resposta definitiva.
O que ela deixa claro é que Satanás não obrigou o casal a pecar. A serpente enganou Eva, e Adão também desobedeceu à ordem que havia recebido (Gênesis 3:1-6; 1 Timóteo 2:14). Ao mesmo tempo, Deus não é apresentado como autor do pecado. Permitir que aquela escolha acontecesse não é o mesmo que aprová-la.
A história também não termina com a desobediência. Logo depois, Deus anuncia que a descendência da mulher venceria a serpente (Gênesis 3:15). Mais adiante, a Bíblia mostra como Jesus veio para lidar com o pecado e derrotar as obras do Diabo (Romanos 5:18-19; 1 João 3:8). Isso não significa que Adão e Eva *precisavam* pecar para que Deus pudesse fazer o bem. Significa que, mesmo diante do mal que eles escolheram, Deus não abandonou seu propósito de salvar.
Então, se a pergunta é “Deus poderia ter impedido Satanás?”, sim. Se é “Por que não impediu?”, não temos uma resposta definitiva nas Escrituras. Podemos pensar em razões possíveis, mas não apresentá-las como se Deus as tivesse explicado. O que o relato nos permite afirmar é que a tentação foi real, a desobediência foi uma escolha humana e Deus começou a revelar, desde o jardim, seu plano para enfrentar o pecado.