Paulo chama Satanás de “deus deste mundo” porque ele exerce uma influência real sobre as pessoas que não creem, especialmente ao impedir que reconheçam quem Jesus é. Isso não quer dizer que Satanás seja Deus, nem que tenha o controle final do mundo.
O próprio contexto explica a expressão. Em 2 Coríntios 4:3-6, Paulo está falando de pessoas que ouvem o evangelho, mas não enxergam a verdade sobre Cristo. Ele diz que o “deus deste mundo” cega o entendimento dos incrédulos para que não vejam a glória de Jesus. A palavra “deus”, aqui, não coloca Satanás no mesmo nível do Criador. Ela descreve o poder que ele exerce neste mundo marcado pelo pecado.
Essa influência aparece no engano. Satanás procura fazer a mentira parecer verdade e levar as pessoas a rejeitar Cristo. Jesus o chama de mentiroso em João 8:44 e também o chama de “príncipe deste mundo” em João 12:31. Em 1 João 5:19, lemos que o mundo está sob o poder do maligno. Essas passagens mostram que sua ação é séria; não dizem que ele pode agir sem limites.
Também seria um erro concluir que tudo o que existe no mundo, ou toda pessoa que ainda não crê, age conscientemente a serviço de Satanás. O ponto de Paulo é mais específico: o engano espiritual dificulta que a pessoa reconheça a verdade do evangelho. Por isso, apresentar essa verdade não é só uma questão de explicar bem as palavras. As pessoas precisam que Deus lhes abra o entendimento.
E é justamente aí que Paulo dá a resposta mais importante. Depois de falar da cegueira, ele diz que Deus faz sua luz brilhar no coração das pessoas para que conheçam sua glória em Jesus Cristo (2 Coríntios 4:6). Satanás pode enganar, mas não consegue impedir Deus de agir. Quem confia em Cristo é tirado do domínio das trevas e trazido para o reino do Filho de Deus (Colossenses 1:13).
Então, a expressão “deus deste mundo” fala da influência de Satanás sobre a humanidade afastada de Deus — não de uma autoridade igual à de Deus. O centro da passagem não é o poder de Satanás, mas a necessidade que temos de Deus pra enxergar quem Jesus é.