A Bíblia não diz que Satanás fez um cálculo e concluiu que conseguiria derrotar a Deus. Ela mostra que ele se opõe a Deus e tenta tomar pra si a obediência e a adoração que pertencem a Deus. Por que uma criatura faria isso, sabendo que Deus é o Criador? A Bíblia não revela tudo o que se passou na mente de Satanás. O orgulho ajuda a entender sua atitude, mas não dá pra afirmar que ele realmente acreditava numa vitória final.
Há uma distinção importante: querer ocupar o lugar de Deus não é o mesmo que ter poder pra isso. Na tentação de Jesus, Satanás lhe ofereceu os reinos do mundo em troca de adoração (Mateus 4:8-10). O pedido mostra o que ele queria. A resposta de Jesus mostra o limite: só Deus deve ser adorado.
Às vezes, Isaías 14 e Ezequiel 28 são usados pra explicar como Satanás se tornou orgulhoso. Esses capítulos, porém, falam diretamente contra os reis da Babilônia e de Tiro. Alguns cristãos entendem que a linguagem usada ali também aponta para a queda de Satanás; outros entendem que ela descreve, de forma forte, a arrogância daqueles governantes. Por isso, não é seguro contar esses textos como se fossem uma descrição detalhada dos pensamentos de Satanás.
O que fica claro é que ele não é igual a Deus. No livro de Jó, Satanás só pode atingir Jó dentro dos limites que Deus permite (Jó 1:12; 2:6). Ele pode tentar, enganar e causar sofrimento, mas não pode agir como se estivesse no controle de tudo.
A vida de Jesus deixa isso ainda mais claro. Satanás tentou desviá-lo da obediência ao Pai e não conseguiu (Mateus 4:1-11). Depois, a morte de Jesus poderia parecer, aos olhos de quem o seguia, uma derrota. Mas, pela morte e ressurreição de Cristo, Deus realizou aquilo que Satanás não podia impedir: abriu o caminho pra libertar pessoas do pecado e da morte (Hebreus 2:14-15). Apocalipse 20:10 também anuncia o fim do próprio Satanás.
Então, a resposta mais honesta é: não sabemos se Satanás achava que poderia vencer a Deus. Sabemos que ele deseja ser adorado, se opõe a Deus e tenta levar as pessoas a desobedecer a ele. Também sabemos que seu poder tem limites e que sua oposição não mudará o resultado anunciado nas Escrituras.