Significa que Satanás procura usar as falhas das pessoas para condená-las e afastá-las da confiança em Deus. A Bíblia mostra isso de duas maneiras: ele acusa os servos de Deus e também tenta fazer com que eles acreditem que seus pecados os deixaram sem esperança. Mas a resposta cristã a essas acusações não é fingir que o pecado não existe. É confiar no perdão que Deus oferece por meio de Jesus.
No livro de Jó, Satanás acusa um homem que servia a Deus. Ele afirma que Jó só é fiel porque recebe bênçãos e que abandonaria a Deus se passasse a sofrer (Jó 1:9-11; 2:4-5). A acusação põe em dúvida a sinceridade da fé de Jó. Mais tarde, Apocalipse chama Satanás de acusador dos irmãos e diz que ele os acusa diante de Deus (Apocalipse 12:10). É daí que vem esse nome.
Uma acusação pode partir de algo falso, como a afirmação de Satanás sobre os motivos de Jó. Mas também pode usar uma falha real. Afinal, os cristãos pecam. O ponto importante é este: mesmo quando o pecado é real, a conclusão de que não há perdão para quem pertence a Cristo é falsa.
Deus não precisa ignorar o pecado para nos acolher. Jesus morreu pelos pecadores e ressuscitou. Por isso, quando alguém confia nele, sua esperança não depende de nunca ter falhado. Depende do que Cristo fez. Paulo apresenta essa segurança em Romanos 8:33-34: Deus é quem declara justos os que são dele, e Cristo intercede por eles. João também diz que, se um cristão pecar, tem Jesus Cristo como seu defensor junto ao Pai (1 João 2:1-2).
Isso não quer dizer que devemos tratar o pecado como algo sem importância. Quando percebemos que erramos, a resposta certa é reconhecer o erro, buscar o perdão de Deus e mudar de atitude (1 João 1:9). Há uma diferença entre perceber o pecado e ser levado a Cristo para tratar dele, e ficar preso à ideia de que já não adianta buscar a Deus. A primeira atitude leva ao arrependimento; a segunda nos afasta da confiança no perdão que ele prometeu.
Então, chamar Satanás de acusador não significa que ele tenha a palavra final sobre ninguém. Suas acusações não podem desfazer aquilo que Cristo fez. O cristão pode levar seu pecado a sério sem perder a esperança, porque sua segurança não está em conseguir se defender sozinho, mas em Jesus, que o defende.