Sara era esposa de Abraão, e Agar era serva dela. Deus havia prometido a Abraão uma grande descendência, mas Sara não conseguia ter filhos. Depois de anos de espera, ela propôs que Abraão tivesse um filho com Agar. Naquele tempo, algumas famílias recorriam a esse costume para tentar garantir um herdeiro. Agar engravidou e deu à luz Ismael. Mas a decisão, em vez de resolver a angústia de Sara, trouxe sofrimento pras duas mulheres (Gênesis 16:1-4, 15).
Quando Agar ficou grávida, passou a desprezar Sara. Sara, por sua vez, tratou Agar com tanta dureza que ela fugiu para o deserto. Ali, o anjo do Senhor a encontrou e lhe disse que voltasse. Também anunciou que seu filho se chamaria Ismael e que seus descendentes seriam numerosos. Agar entendeu que Deus a tinha visto naquela situação difícil (Gênesis 16:6-13). O relato não apresenta os maus-tratos de Sara como algo certo; ele mostra que Deus não ignorou Agar, mesmo quando ela estava sozinha e vulnerável.
Anos depois, Deus cumpriu a promessa de dar um filho a Abraão e Sara. Sara deu à luz Isaque quando Abraão tinha cem anos — cerca de catorze anos depois do nascimento de Ismael (Gênesis 17:17; 21:1-5). Isaque não era apenas o filho que Sara tanto esperava. Era por meio dele que Deus havia dito que continuaria a aliança feita com Abraão (Gênesis 17:19).
A convivência entre as duas famílias se tornou ainda mais difícil. Depois que Isaque foi desmamado, Sara viu Ismael numa situação que a levou a pedir a Abraão que mandasse Agar e o rapaz embora. Abraão ficou muito aflito. Deus lhe disse que atendesse ao pedido de Sara, reafirmando duas coisas: a descendência ligada à aliança viria por meio de Isaque, mas Ismael também se tornaria uma nação, porque era filho de Abraão (Gênesis 21:8-13).
No deserto, Agar e Ismael ficaram sem água. Agar achou que o filho morreria, mas Deus ouviu o menino, falou com ela e lhe mostrou uma fonte de água. Ismael sobreviveu, cresceu no deserto e, mais tarde, teve doze filhos (Gênesis 21:14-21; 25:12-16).
Essa história não coloca Sara como alguém que acertou em tudo nem Agar como alguém sem valor por ser serva. Ela mostra uma família tentando lidar com a espera, o ciúme e as consequências de suas decisões. Deus manteve sua promessa a Sara e Abraão sem abandonar Agar e Ismael.
Mais tarde, Paulo usa Sara e Agar como uma comparação em Gálatas 4:21-31. Ele lembra que Ismael nasceu da serva, enquanto Isaque nasceu da mulher livre, conforme a promessa de Deus. Com isso, Paulo ensina que nossa relação com Deus não é conquistada por esforço próprio: ela depende do que Deus prometeu e fez por meio de Cristo. Essa comparação tem um propósito espiritual; ela não apaga o cuidado que Deus demonstrou por Agar e seu filho na história de Gênesis.