Na Bíblia, “santos” é um nome dado aos que pertencem a Deus por meio de Jesus Cristo. Não é um título reservado a alguns cristãos extraordinários. Paulo, por exemplo, escreveu à igreja de Corinto e chamou aquelas pessoas de santificadas em Cristo e chamadas para ser santas (1 Coríntios 1:2).
Isso não quer dizer que elas nunca pecavam. A própria carta aos coríntios mostra que havia problemas sérios naquela igreja. Elas eram santas porque pertenciam a Cristo; ao mesmo tempo, precisavam aprender a viver de acordo com isso. É por essa razão que Paulo também orienta os cristãos a deixar práticas como a imoralidade, a impureza e a ganância (Efésios 5:3).
O livro de Atos ajuda a entender como a palavra era usada. Quando Ananias fala dos “santos” perseguidos em Jerusalém, ele está falando dos seguidores de Jesus daquela cidade (Atos 9:13). Mais tarde, Pedro visita os santos que moravam em Lida (Atos 9:32). Eram cristãos vivos, reunidos em suas comunidades — não pessoas que haviam recebido um reconhecimento especial depois da morte.
Então há duas ideias que andam juntas: Deus separa os cristãos para si em Cristo, e eles são chamados a viver de uma maneira que combine com essa relação. A vida santa não é o que faz alguém merecer pertencer a Deus; é a maneira como quem pertence a ele deve aprender a viver.
Talvez a dúvida venha do uso da palavra “santo” em diferentes tradições cristãs. Na Igreja Católica, ela também é usada como título para pessoas reconhecidas oficialmente por sua vida de fé. Esse é um uso diferente do que vemos, por exemplo, nas cartas de Paulo, quando ele se dirige aos “santos” de uma igreja inteira. Vale fazer essa distinção sem dizer que, na Bíblia, só existem santos na terra: os cristãos que morreram também continuam pertencendo a Deus.
Em resumo, no sentido em que o Novo Testamento chama os membros da igreja de santos, todo cristão que pertence a Jesus é santo. Não porque já tenha alcançado a perfeição, mas porque pertence a Deus — e, por isso, é chamado a viver cada vez mais de acordo com ele.