Porque aqueles sacrifícios, embora tivessem sido ordenados por Deus, não podiam resolver de uma vez por todas a culpa das pessoas diante dele. Eles faziam parte da maneira como Israel se aproximava de Deus, mas apontavam pra um sacrifício maior: o de Jesus.
Isso não quer dizer que os sacrifícios do Antigo Testamento fossem inúteis. Quando alguém pecava, Deus havia dado instruções pra que oferecesse um sacrifício, e a Lei dizia que essa pessoa seria perdoada (Levítico 4:20). O sacrifício ensinava que o pecado era sério, que a pessoa precisava do perdão de Deus e que não podia simplesmente fingir que nada havia acontecido.
Mas havia um limite. Os sacrifícios precisavam ser oferecidos repetidas vezes. Hebreus 10:1-4 chama atenção pra isso: se eles pudessem acabar definitivamente com a culpa, não precisariam continuar. Em vez disso, sua repetição mantinha viva a lembrança dos pecados. O sangue de um animal não podia, por si só, transformar a relação de uma pessoa com Deus nem dar uma solução definitiva pro pecado humano.
Então como Deus podia perdoar as pessoas naquela época? O perdão nunca dependeu de algum poder especial no sangue dos animais. Dependia da misericórdia de Deus. Os sacrifícios eram a maneira que ele havia estabelecido para aquele tempo e apontavam pra solução que viria por meio de Cristo. Hebreus 9:15 relaciona a morte de Jesus também à libertação das transgressões cometidas sob a antiga aliança.
A diferença é que Jesus não ofereceu outro animal: ele entregou a si mesmo. Ele viveu sem pecado e morreu pelos pecadores. Por isso, Hebreus diz que seu sacrifício foi oferecido uma vez por todas, sem precisar ser repetido (Hebreus 10:10-14).
É esse o sentido de Hebreus 10:4. Deus não estava dizendo que os sacrifícios antigos não tinham valor. Eles tinham seu lugar, mas não eram a solução final. Mostravam a necessidade de perdão; Jesus realizou aquilo para o qual apontavam.