É o sangue que Jesus derramou ao morrer na cruz. Hebreus o chama de “sangue da aliança” porque, por meio da morte de Jesus, Deus estabeleceu a nova aliança prometida ao seu povo (Hebreus 9:15; 13:20).
Pra entender a expressão, vale lembrar uma cena do Antigo Testamento. Quando Deus fez uma aliança com Israel, Moisés apresentou ao povo os termos dessa relação e usou o sangue de animais na cerimônia (Êxodo 24:3-8). O sangue mostrava que aquela aliança era algo sério, ligado a sacrifício. Jesus retomou essa linguagem ao falar da própria morte: seu sangue seria derramado em favor de outros e estaria ligado à nova aliança (Lucas 22:20).
A diferença é que o sangue dos animais não podia acabar com o pecado. Os sacrifícios precisavam ser repetidos. Já Jesus ofereceu a si mesmo uma vez por todas (Hebreus 10:1-14). Por isso, quando Hebreus fala do “sangue da aliança”, não está falando de uma cerimônia com animais, mas do sacrifício de Cristo.
O aviso de Hebreus 10:29 é sério porque descreve alguém que trata esse sangue como se não tivesse nenhum valor especial. No contexto, não se trata de uma pessoa que caiu em pecado, se arrependeu e quer voltar pra Deus. O autor está alertando contra a rejeição deliberada de Cristo depois de conhecer a mensagem sobre ele. Se a pessoa despreza o sacrifício de Jesus, não existe outro sacrifício ao qual possa recorrer pra receber perdão (Hebreus 10:26-29).
O versículo também diz que essa pessoa foi “santificada” pelo sangue da aliança. Cristãos entendem essa frase de maneiras diferentes: alguns a veem como referência a alguém que realmente pertenceu a Cristo; outros entendem que ela descreve alguém que foi separado, ao menos exteriormente, entre o povo que recebeu a mensagem da nova aliança. Essa diferença importa em discussões sobre a possibilidade de um cristão abandonar definitivamente a fé. Mas o aviso principal do texto é claro: não devemos desprezar Jesus, pois é por meio do seu sangue — e não de outro sacrifício — que Deus oferece perdão.