O samaritanismo é a religião dos samaritanos, um povo ligado à antiga região de Samaria, ao norte de Jerusalém. Eles adoram o Deus de Israel, seguem a lei de Moisés e consideram o monte Gerizim, e não Jerusalém, o lugar escolhido por Deus para a adoração. Essa diferença ajuda a entender por que judeus e samaritanos, embora tivessem muito em comum, viviam separados na época de Jesus.
Os samaritanos reconhecem como Escritura sagrada apenas os cinco primeiros livros da Bíblia — Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Esse conjunto é chamado de *Torá* ou *Pentateuco*. Eles usam uma versão própria desse texto, conhecida como Pentateuco Samaritano. Não reconhecem os outros livros do Antigo Testamento nem o Novo Testamento como Escritura. Moisés ocupa um lugar central em sua fé, e eles esperam a vinda de uma figura restauradora chamada *Taheb*.
A separação entre judeus e samaritanos tem uma longa história. Depois do reinado de Salomão, Israel se dividiu em dois reinos. Séculos mais tarde, a Assíria conquistou o reino do norte, cuja capital era Samaria. Segundo 2 Reis 17, parte da população foi levada embora, e povos de outras regiões foram instalados ali. O capítulo também conta que a adoração ao Deus de Israel passou a conviver com a adoração a outros deuses. Esse relato ajuda a entender o início das tensões, mas não conta, sozinho, toda a história do povo samaritano e de sua religião.
Com o tempo, a pergunta sobre onde Deus deveria ser adorado tornou-se uma das diferenças mais importantes. Os judeus tinham o templo em Jerusalém; os samaritanos consideravam sagrado o monte Gerizim e chegaram a construir ali um templo, destruído antes da época de Jesus. Há até uma diferença entre os textos que cada grupo preservou: em Deuteronômio 27:4-5, o texto hebraico usado nas Bíblias em geral menciona o monte Ebal como local de um altar, enquanto o Pentateuco Samaritano menciona o Gerizim. Não dá para resolver essa diferença simplesmente afirmando que um dos lados alterou o texto de propósito.
É nesse contexto que a conversa de Jesus com a mulher samaritana, em João 4, ganha sentido. Ela se surpreende quando Jesus, sendo judeu, lhe pede água. Depois, pergunta a ele sobre a disputa entre o monte Gerizim e Jerusalém. Jesus não ignora a diferença entre as duas tradições, mas ensina que a adoração a Deus não ficaria limitada a um desses lugares (João 4:20-24). Quando a mulher fala da esperança pela vinda do Messias, Jesus se apresenta a ela como aquele que ela esperava (João 4:25-26).
Portanto, o samaritanismo não é apenas um nome antigo que aparece na Bíblia. É uma tradição religiosa que continua existindo. Conhecê-la esclarece tanto a história do povo samaritano quanto o peso daquele encontro: Jesus conversou abertamente com uma mulher de um povo que muitos judeus evitavam e lhe falou sobre a verdadeira adoração a Deus.