As pessoas que viveram antes de Jesus eram salvas pela graça de Deus, por meio da fé nele. Elas não precisavam conhecer todos os detalhes da morte e da ressurreição de Cristo, porque Deus ainda não tinha revelado tudo isso. Mas a salvação delas, assim como a nossa, só era possível por causa do que Jesus faria na cruz.
Abraão é um exemplo claro. Deus lhe fez promessas, e Abraão creu nele. Por isso, Deus o considerou justo (Gênesis 15:6). Quando Paulo explica esse episódio, ele mostra que Abraão não foi aceito por Deus como recompensa por suas obras; ele confiou em Deus (Romanos 4:1-5). Isso não significa que Abraão entendia exatamente como Jesus morreria pelos pecados. Significa que ele confiava no Deus que lhe havia feito aquelas promessas.
E os sacrifícios de animais? Eles faziam parte da maneira como Israel adorava a Deus e lidava com o pecado, conforme a Lei que havia recebido. Mas o sangue daqueles animais não tinha poder, por si só, pra remover a culpa de uma pessoa. Hebreus 10:1-4 explica que os sacrifícios eram repetidos e apontavam pra algo maior. A solução definitiva viria com Jesus, que ofereceu a própria vida de uma vez por todas (Hebreus 10:10-14).
Talvez a maior dúvida seja esta: como a morte de Jesus podia beneficiar alguém que já havia vivido e morrido? A resposta está no fato de que Deus não descobriu a solução pro pecado somente quando Jesus nasceu. Ele já havia prometido agir e, no tempo certo, enviou seu Filho. Romanos 3:25-26 explica que Deus havia deixado impunes pecados cometidos anteriormente e que a morte de Jesus demonstrou sua justiça. Hebreus 9:15 também relaciona a morte de Cristo à libertação das transgressões cometidas sob a antiga aliança. Deus não ignorou aqueles pecados: Cristo tratou deles na cruz.
Isso não quer dizer que todos os que viveram antes de Jesus tinham a mesma compreensão sobre o Messias. Deus foi revelando seus planos ao longo do tempo. Abraão recebeu promessas; mais tarde, os profetas falaram mais sobre aquele que Deus enviaria. Mesmo os discípulos de Jesus, quando já andavam com ele, tiveram dificuldade pra aceitar que ele seria morto e ressuscitaria (Mateus 16:21-22). Não seria justo exigir de Abraão ou de Davi um conhecimento que nem os discípulos tinham antes da cruz.
Hoje nós sabemos algo que eles ainda não podiam ver com a mesma clareza: Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou, como Paulo anuncia em 1 Coríntios 15:3-4. O que mudou foi o quanto Deus já havia revelado sobre sua salvação. O fundamento dela não mudou: ninguém foi salvo pelos próprios méritos ou pelo sangue de animais. Antes da cruz, as pessoas que Deus salvou confiaram nele conforme o que ele lhes havia dado a conhecer. E foi a obra de Jesus que tornou possível a salvação delas — e também a nossa.