Ele não está dizendo que ela é sua irmã de verdade. Em Cantares 4:9, o homem chama a mulher de “minha irmã, minha noiva”. As duas expressões aparecem juntas: ele fala com ela como sua amada, usando “irmã” como uma forma carinhosa de mostrar proximidade.
Isso pode soar estranho pra nós, porque hoje um marido dificilmente chamaria a esposa de irmã. Mas a expressão fazia sentido na linguagem amorosa do mundo antigo. Há exemplos de poemas de amor egípcios em que “irmã” é usada pra se dirigir à pessoa amada. Em Cantares, o próprio contexto deixa claro que se trata de um casal: o homem elogia a mulher e repete “minha irmã, minha noiva” em outros momentos da mesma cena (Cantares 4:10, 12; 5:1).
A fala da mulher em Cantares 8:1 ajuda a entender outro lado dessa linguagem. Ela imagina que, se ele fosse seu irmão, poderia beijá-lo em público sem que as pessoas a desprezassem. Ela não está desejando que eles fossem parentes; está dizendo que gostaria de demonstrar seu carinho por ele com essa liberdade.
Então a resposta é simples: “minha irmã” é uma expressão de carinho e intimidade, não uma indicação de parentesco. O homem está falando com a mulher que ama, e o próprio texto a chama também de sua noiva.