Vários salmos ajudam a entender quem Jesus é e o que ele veio fazer. Alguns anunciam o rei prometido por Deus. Outros descrevem sofrimentos que aparecem na morte de Jesus. Há também salmos que os apóstolos usaram pra explicar sua ressurreição e sua autoridade depois de voltar ao céu.
Mas vale fazer uma distinção: nem todo salmo aplicado a Jesus foi escrito como uma previsão direta de um acontecimento futuro. Às vezes, o salmista estava falando de uma experiência da própria vida, e o Novo Testamento mostra que essa experiência também aponta pra Cristo. Por isso, em vez de contar supostas “profecias” uma por uma, o melhor é começar pelos salmos cuja ligação com Jesus fica mais clara no Novo Testamento.
O Salmo 2 fala do rei escolhido por Deus. Ele descreve nações e governantes que se levantam contra o Senhor e contra o seu ungido, mas afirma que Deus estabeleceu seu rei e o chama de Filho. Em Atos 4:25-28, os primeiros cristãos relacionam a oposição descrita nesse salmo à oposição que Jesus enfrentou. Em Atos 13:32-33, Paulo usa o salmo ao anunciar a ressurreição de Jesus. Assim, o Novo Testamento apresenta Jesus como o rei prometido, mesmo tendo sido rejeitado por muitos.
O Salmo 22 é um dos mais marcantes quando pensamos na crucificação. Ele começa com o clamor de alguém que se sente abandonado por Deus. Jesus usou essas palavras na cruz (Marcos 15:34). O salmo também fala de zombaria e de pessoas que repartem as roupas do sofredor; os evangelhos relacionam essas cenas ao que aconteceu com Jesus (Mateus 27:39-43; João 19:23-24). É importante lembrar que o salmo não termina em sofrimento. Ele passa do pedido de socorro ao louvor a Deus, e Hebreus 2:11-12 aplica a Jesus um trecho dessa parte final.
O Salmo 16 fala da esperança de não ser abandonado à morte. Pedro, em Atos 2:25-32, e Paulo, em Atos 13:34-37, explicam por que veem nele um anúncio da ressurreição de Jesus: Davi morreu, mas Jesus ressuscitou. Aqui não precisamos adivinhar a ligação; os próprios apóstolos a apresentam.
O Salmo 110 mostra o Messias como rei e sacerdote. Nele, Davi fala de alguém a quem chama de seu senhor e que recebe de Deus um lugar de honra. Jesus chamou a atenção pra esse salmo ao conversar sobre quem é o Messias (Mateus 22:41-45). Depois, os apóstolos o usaram pra explicar que Jesus foi exaltado e reina (Atos 2:33-36). O mesmo salmo diz que esse rei é sacerdote para sempre. A carta aos Hebreus desenvolve essa ideia: Jesus nos aproxima de Deus de um modo que nenhum sacerdote humano poderia fazer de forma definitiva (Hebreus 7:23-28).
Outros salmos completam esse quadro. O Salmo 45:6-7 é aplicado ao Filho em Hebreus 1:8-9, ao falar de seu reinado. O Salmo 102:25-27, que fala da permanência de Deus enquanto a criação envelhece, também é aplicado ao Filho em Hebreus 1:10-12. Já o Salmo 118:22-23 fala da pedra rejeitada pelos construtores que se torna essencial; Jesus usou essa imagem pra falar de sua rejeição e da ação de Deus em sua vida (Mateus 21:42).
Há ainda salmos que iluminam acontecimentos específicos. Jesus relacionou a traição de um companheiro ao Salmo 41:9 (João 13:18). João relacionou o Salmo 69:21 ao que aconteceu na crucificação (João 19:28-29), e Jesus aplicou a si mesmo a ideia de ser odiado sem motivo, presente nos Salmos 35:19 e 69:4 (João 15:25). Depois da morte de Judas, Pedro usou o Salmo 109:8 ao falar da escolha de alguém para ocupar seu lugar entre os apóstolos (Atos 1:20-26).
Então, se você quiser começar pelos principais, leia Salmos 2, 16, 22 e 110 junto com as passagens do Novo Testamento mencionadas. Eles mostram o centro da resposta: Jesus é o rei prometido; sofreu e foi rejeitado; ressuscitou; e agora reina junto de Deus. Os demais salmos acrescentam detalhes importantes, mas nem todos funcionam da mesma maneira. Alguns anunciam o futuro de forma mais direta; outros ganham um sentido mais completo quando os apóstolos os relacionam a Jesus.