Pastor Antônio Junior

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Quais são os salmos imprecatórios?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Os salmos imprecatórios são salmos em que alguém pede a Deus que julgue pessoas que praticam o mal. “Imprecação” é uma palavra pouco usada hoje; nesse caso, significa um pedido de castigo contra os inimigos. Por isso, esses salmos podem causar estranheza: além de falar de sofrimento, eles trazem pedidos duros de justiça.

Não existe no livro de Salmos uma lista oficial com essa classificação. O nome é usado pra identificar salmos que contêm esse tipo de oração. Entre os exemplos mais conhecidos estão os Salmos 35, 58, 69, 79, 83, 109, 137 e 140. Pedidos semelhantes também aparecem em partes de outros salmos, como os Salmos 5, 17, 59, 70 e 129. Nem sempre o salmo inteiro trata disso.

Pra entender essas orações, é importante olhar pra situação de quem as fez. Em muitos casos, o autor estava sofrendo violência, perseguição ou uma injustiça grave. No Salmo 79, por exemplo, o povo pede que Deus julgue as nações que devastaram Jerusalém. No Salmo 137, a dor é a de pessoas levadas para o exílio depois da destruição da cidade. Em vez de fazer justiça por conta própria, elas apresentam a Deus sua revolta e pedem que ele aja.

Isso não torna fáceis todas as palavras desses salmos. O final do Salmo 137, que fala de esmagar crianças da Babilônia, é especialmente perturbador. Não é uma ordem dada ao leitor nem uma autorização pra ferir crianças. É parte de uma oração nascida de uma tragédia, que expressa o desejo de ver a Babilônia sofrer o tipo de violência que havia causado. Podemos reconhecer a dor por trás dessas palavras sem tratar cada pedido do salmista como um exemplo a ser repetido.

E como o cristão deve ler esses salmos, se Jesus ensinou a amar os inimigos e orar por eles? Os dois ensinamentos precisam ser levados a sério. Jesus manda seus seguidores abandonar a vingança pessoal e desejar o bem até de quem os maltrata (Mateus 5:44). Ao mesmo tempo, a Bíblia não exige que a vítima chame o mal de bem ou deixe de pedir justiça. Paulo orienta os cristãos a não se vingarem, mas a deixar o julgamento nas mãos de Deus (Romanos 12:19).

Assim, os salmos imprecatórios mostram que podemos falar com Deus com honestidade quando vemos a crueldade ou sofremos uma injustiça. Podemos pedir que ele proteja as vítimas, impeça o mal e faça justiça. Mas não usamos esses salmos como licença pra odiar pessoas ou pedir sofrimento por causa de uma ofensa pessoal. Ao orar, também pedimos que quem faz o mal se arrependa. A decisão de como Deus fará justiça pertence a ele, não a nós.