Significa que quem pertence a Deus não deve participar da idolatria nem se comprometer com práticas contrárias à sua vontade. Paulo não está mandando os cristãos cortar contato com todas as pessoas que não creem em Jesus. Ele está dizendo que existe uma diferença entre conviver com alguém e se unir a essa pessoa naquilo que desagrada a Deus.
O contexto ajuda a entender isso. Pouco antes dessa ordem, Paulo pergunta que ligação pode haver entre o templo de Deus e os ídolos. Em seguida, ele diz que os cristãos são o templo do Deus vivo (2 Coríntios 6:16). A ideia é simples: se Deus vive no meio do seu povo, seu povo não pode, ao mesmo tempo, participar da adoração a outros deuses. Por isso vem o chamado pra sair do meio deles e não se envolver com o que é impuro.
Paulo usa palavras que lembram Isaías 52:11. Naquela passagem, o chamado era pra que o povo de Deus saísse do lugar onde estava no exílio, ligado sobretudo à Babilônia no contexto de Isaías 52. Ao aplicar essa linguagem aos cristãos de Corinto, Paulo não está mandando a igreja mudar de cidade. Ele está usando o chamado à separação pra mostrar como eles deveriam viver: pertencendo a Deus, sem participar da idolatria ao redor deles.
É nessa linha que devemos entender também o aviso sobre não se colocar em “jugo desigual” com incrédulos, em 2 Coríntios 6:14. Paulo não apresenta ali uma lista de todas as relações permitidas ou proibidas. Seu alerta é contra uma união que leve o cristão a abrir mão da fidelidade a Cristo. Isso pode acontecer em diferentes tipos de relação ou compromisso. O ponto não é que toda convivência com quem não crê seja errada, mas que nenhuma ligação deve nos levar a participar do pecado.
O próprio Paulo deixa claro que separar-se do pecado não é isolar-se das pessoas. Em 1 Coríntios 5:9-11, ele explica que não estava exigindo que os cristãos evitassem todo contato com pessoas de fora da igreja que viviam de maneira errada. Se fosse assim, diz ele, seria preciso sair do mundo. Nessa passagem, o problema tratado é outro: alguém se apresentar como irmão na fé e, mesmo assim, persistir abertamente em pecados graves. Nesse caso, a igreja não deve agir como se nada estivesse acontecendo.
Portanto, “retirai-vos do meio deles” é um chamado à fidelidade a Deus, não ao isolamento. O cristão pode conversar, trabalhar, conviver e anunciar Jesus a quem não crê. Mas não deve participar da adoração a outros deuses nem aceitar compromissos que o levem a desobedecer a Cristo. Paulo resume a direção prática logo depois: já que Deus nos recebeu como seu povo, devemos deixar aquilo que nos contamina e procurar viver de modo santo diante dele (2 Coríntios 7:1).