Paulo estava falando das Escrituras que Timóteo aprendeu na infância: os livros que hoje chamamos de Antigo Testamento. Ele não estava se referindo ao Novo Testamento completo, porque esses escritos ainda não estavam reunidos quando Timóteo era criança.
Timóteo tinha mãe judia e pai grego (Atos 16:1). Paulo também menciona a fé de sua mãe, Eunice, e de sua avó, Loide (2 Timóteo 1:5). É natural entender que elas tiveram um papel importante no seu aprendizado das Escrituras, embora Paulo não diga exatamente como isso aconteceu.
Mas por que Paulo afirma que esses escritos podiam dar a Timóteo sabedoria pra salvação por meio da fé em Cristo Jesus (2 Timóteo 3:15), se foram escritos antes de Jesus nascer? Porque o Antigo Testamento prepara o caminho pra entendermos quem Jesus é e por que precisamos dele. Ali encontramos as promessas de Deus, a realidade do pecado e a esperança de que Deus salvaria seu povo. Depois de ressuscitar, Jesus explicou aos discípulos como as Escrituras apontavam pra ele (Lucas 24:25-27). Isso não quer dizer que Timóteo pudesse saber, quando criança, tudo o que mais tarde aprenderia sobre Jesus. Quer dizer que aquelas Escrituras, compreendidas à luz de Cristo, o ajudavam a reconhecer a salvação anunciada por Deus.
No versículo seguinte, Paulo amplia o assunto: ele diz que toda a Escritura é inspirada por Deus e útil pra ensinar, corrigir e preparar a pessoa pra viver de acordo com a vontade dele (2 Timóteo 3:16-17). Portanto, “Sagradas Letras” não significa letras com algum poder especial. É uma maneira de falar dos escritos santos, que vêm de Deus e ensinam a conhecê-lo.
O ponto de Paulo pra Timóteo era bem prático: diante de ensinos falsos, ele deveria permanecer naquilo que havia aprendido desde cedo. As Escrituras não serviam apenas pra lhe dar informações religiosas. Elas o ajudavam a permanecer firme na verdade e a entender a salvação que Deus oferece em Jesus Cristo.