A diferença está no que Deus condenou e no que aconteceu com Jesus. Deus proibiu que pessoas matassem seres humanos como oferta religiosa, inclusive crianças, como faziam alguns povos ao redor de Israel (Deuteronômio 12:31; 18:10). A morte de Jesus não foi uma prática desse tipo aprovada por Deus. Foi um assassinato cometido por pessoas, mas também foi a entrega voluntária de Jesus pra salvar pecadores (Atos 2:23; João 10:17-18).
Isso não torna a crucificação um ato bom. Quem condenou e matou Jesus fez algo injusto. Ao mesmo tempo, Jesus sabia o que aconteceria e não foi levado à cruz contra a sua vontade. Ele veio justamente pra dar a vida por nós. A Bíblia mantém essas duas verdades juntas: as pessoas foram responsáveis pela morte dele, e Deus agiu por meio dessa morte pra nos salvar.
Mas por que a morte dele tem esse significado? Porque nosso pecado nos torna culpados diante de Deus, e não podemos simplesmente tratar essa culpa como se ela não existisse. No Antigo Testamento, Deus estabeleceu sacrifícios de animais que ensinavam ao povo a seriedade do pecado e a necessidade de perdão. Aqueles sacrifícios, porém, não podiam resolver o problema de uma vez por todas (Hebreus 10:1-4).
Jesus fez o que eles não podiam fazer. Ele viveu sem pecado e se ofereceu por nós. Por isso, o Novo Testamento diz que Cristo sofreu pelos pecados, o justo pelos injustos, pra nos levar a Deus (1 Pedro 3:18). Quando dizemos que ele “pagou” pelos nossos pecados, queremos dizer que ele assumiu, em nosso lugar, as consequências do pecado que nos separava de Deus. Sua ressurreição mostra que a morte não teve a última palavra e que sua obra não precisa ser repetida (Hebreus 10:10-14; 1 Coríntios 15:3-4).
Jesus não era apenas um ser humano escolhido pra morrer. Ele é o Filho de Deus que se tornou homem (João 1:14). Assim, não se trata de Deus exigir que outra pessoa sofresse enquanto ele permanecia distante. Em Cristo, Deus veio até nós e assumiu o custo da nossa salvação.
Então, a Bíblia não está dizendo que o sacrifício humano passou a ser aceitável. Ela condena o ato de tirar a vida de alguém como oferta religiosa. O que anuncia sobre Jesus é diferente: embora tenha sido morto injustamente, ele se entregou livremente, uma única vez, pra que pecadores pudessem ser perdoados e reconciliados com Deus.