Om era uma cidade do Egito, mais tarde conhecida como Heliópolis. Ela era um importante centro de culto ao deus-sol. Os sacerdotes de Om serviam nesse culto, e Potífera, pai de Asenate, era um deles. Em Gênesis 41:45, lemos que o faraó deu Asenate em casamento a José depois de colocá-lo numa posição de autoridade no Egito.
A dúvida é compreensível: José adorava o Deus de seus pais, mas a família de sua esposa estava ligada à religião egípcia. A Bíblia não diz que José errou ao se casar com Asenate. Também não nos conta se ela continuou seguindo a religião de sua família ou se passou a adorar o Deus de José. Por isso, não dá pra afirmar que ela se converteu nem que José passou a participar do culto de Om.
O que sabemos sobre José aponta noutra direção: mesmo diante do faraó, ele atribuiu a Deus a capacidade de explicar os sonhos e de mostrar o que aconteceria no futuro (Gênesis 41:16, 25, 28). Mais tarde, ao falar sobre as dificuldades que tinha sofrido, José continuou reconhecendo que Deus havia cuidado dele (Gênesis 45:5-8; 50:20). O relato não apresenta o casamento como um abandono da sua fé.
Também é importante lembrar que José viveu antes de Deus dar a Lei a Israel por meio de Moisés. As proibições de casamento com os povos de Canaã, dadas mais tarde, tinham uma preocupação clara: impedir que os israelitas fossem levados a adorar outros deuses (Êxodo 34:15-16; Deuteronômio 7:1-4). José não estava se casando com uma cananeia, e não seria correto aplicar aquela proibição posterior diretamente ao caso dele. Ao mesmo tempo, a preocupação por trás dela nos ajuda a entender por que a pergunta sobre a fé de Asenate é importante.
José e Asenate tiveram dois filhos, Manassés e Efraim (Gênesis 41:50-52). Quando Jacó abençoou a família, recebeu os dois como seus próprios filhos (Gênesis 48:5). Isso mostra o lugar que eles tiveram na história de Israel, mas não revela, por si só, quais eram as crenças de Asenate.
Então, a resposta mais cuidadosa é esta: Potífera era sacerdote de um centro de culto egípcio, mas Gênesis não condena o casamento de José com sua filha. O texto nos dá motivos pra reconhecer que José permaneceu fiel a Deus; não nos dá motivos pra afirmar com certeza o que Asenate cria.