A Sabedoria de Salomão, também chamada de Livro da Sabedoria, é um antigo livro judaico sobre a justiça, a morte, a idolatria e a maneira de viver de quem confia em Deus. Ele aparece nas Bíblias católicas, mas não faz parte do Antigo Testamento das Bíblias protestantes.
O nome pode dar a impressão de que o rei Salomão escreveu o livro. Afinal, a Bíblia apresenta Salomão como um rei conhecido por sua sabedoria (1 Reis 3:5-12). Mas o livro foi escrito muitos séculos depois da época dele, provavelmente em grego, perto do início da era cristã. Ele usa a figura de Salomão pra ensinar sobre a sabedoria; não é uma obra escrita pelo próprio rei.
Boa parte do livro procura responder a uma pergunta difícil: vale a pena fazer o que é certo quando pessoas injustas parecem se dar bem? Ele fala do sofrimento dos justos e da esperança de que Deus fará justiça. Também critica a adoração de ídolos e relembra acontecimentos da história de Israel. É por isso que pode ser interessante como registro do pensamento judaico daquele período.
A dúvida maior costuma ser outra: *esse livro é Bíblia?* A resposta depende da tradição cristã. Católicos o recebem como parte das Escrituras e o chamam de deuterocanônico. Protestantes o classificam entre os apócrifos: livros antigos que podem ser lidos e estudados, mas que não são recebidos como autoridade bíblica. Algumas tradições ortodoxas também o incluem em suas Escrituras. Assim, não seria correto dizer que nenhum cristão o considera bíblico, nem que ele foi simplesmente escrito por Salomão e depois retirado da Bíblia.
Do ponto de vista protestante, há uma distinção importante entre aprender com um livro antigo e usá-lo pra estabelecer uma doutrina. A Sabedoria de Salomão pode ajudar a entender como alguns judeus pensavam nos séculos próximos à vinda de Jesus. Mas, nessa perspectiva, o ensino cristão deve ser fundamentado nos livros recebidos como Escritura.
Também é bom tomar cuidado ao comparar uma frase isolada do livro com o Novo Testamento. Por exemplo, Sabedoria 9:18 fala da sabedoria de Deus conduzindo as pessoas à salvação. Isso não significa, por si só, que alguém possa se salvar usando a própria inteligência. O Novo Testamento ensina que somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, e não por mérito nosso (Efésios 2:8-9). Antes de afirmar que dois textos se contradizem, precisamos entender o que cada um está dizendo.
Em resumo, a Sabedoria de Salomão é uma obra judaica antiga atribuída simbolicamente ao rei famoso por sua sabedoria. Ela faz parte da Bíblia católica, mas não do cânon protestante. Conhecer essa diferença ajuda a ler o livro pelo que ele é, sem confundi-lo com os livros bíblicos que o próprio Salomão é tradicionalmente associado a escrever.