Não. Paulo diz em Romanos 2:7 que Deus dará vida eterna aos que perseveram em fazer o bem. Mas, alguns parágrafos depois, ele afirma que ninguém será considerado justo diante de Deus por cumprir a lei, porque todos pecaram (Romanos 3:20-23). Então, pra entender o versículo 7, precisamos acompanhar o que Paulo está fazendo nesse trecho.
Em Romanos 2, Paulo fala sobre o julgamento de Deus. Ele está dizendo que Deus não vai favorecer alguém só porque essa pessoa pertence ao povo judeu, conhece a lei ou parece religiosa. Ele julgará cada um com justiça, levando em conta o que fez (Romanos 2:6-11). É nesse contexto que Paulo fala da vida eterna para quem persevera no bem e da condenação para quem pratica o mal.
Isso não quer dizer que uma pessoa consiga acumular boas ações suficientes pra pagar pelos próprios pecados. Na verdade, o argumento de Paulo avança na direção oposta: tanto judeus como não judeus estão debaixo do pecado e precisam da justiça que Deus concede por meio da fé em Jesus Cristo (Romanos 3:9, 22-24). Mais adiante, ele chama a vida eterna de *dom de Deus* em Cristo Jesus (Romanos 6:23).
Há uma diferença entre dizer “Deus levará em conta o que fazemos” e dizer “o que fazemos compra nossa salvação”. Paulo afirma a primeira coisa, não a segunda. A fé em Cristo não é uma desculpa pra continuar vivendo no pecado. Quem recebe a graça de Deus é chamado a uma vida nova, e essa mudança aparece também nas suas atitudes (Romanos 6:1-4; Efésios 2:8-10). As boas obras não são o preço da salvação; são parte da vida de quem foi alcançado por ela.
Cristãos entendem de maneiras diferentes o papel exato de Romanos 2:7 no argumento de Paulo. Alguns veem ali o padrão justo de Deus, que revela como todos precisam de Cristo, já que ninguém obedece perfeitamente. Outros entendem que Paulo também descreve a vida transformada daqueles que pertencem a Cristo. Em qualquer das leituras, o versículo não pode ser usado pra ensinar que alguém se salva por esforço próprio. A conclusão de Paulo é clara: somos aceitos por Deus por sua graça, mediante a fé em Jesus, e não porque conseguimos merecer a vida eterna (Romanos 3:28; 4:4-5).