Roma era a capital do império que governava a região onde Jesus nasceu e onde a igreja começou. Por isso, mesmo quando a cidade não aparece numa passagem, o poder romano muitas vezes faz parte do que está acontecendo. No Novo Testamento, Roma aparece como centro de governo, como destino do apóstolo Paulo e como um lugar onde o evangelho já havia chegado.
É importante distinguir a cidade de Roma do Império Romano. Jesus viveu na Judeia, longe da capital, mas a Judeia estava sob domínio romano. Um exemplo aparece logo no relato de seu nascimento: o imperador Augusto ordenou um recenseamento, e José foi a Belém com Maria. Foi ali que Jesus nasceu (Lucas 2:1-7). Miqueias 5:2 já apontava Belém como o lugar de onde viria o governante prometido a Israel. O relato de Lucas não diz que Augusto pretendia cumprir essa profecia; mostra que uma decisão do imperador fez parte das circunstâncias em que ela se cumpriu.
O domínio romano também ajuda a entender a morte de Jesus. Os líderes religiosos judeus queriam condená-lo, mas foi o governador romano Pôncio Pilatos quem autorizou a crucificação (João 18:28–19:16). Quando Pilatos hesitou, aqueles líderes usaram um argumento político: disseram que soltar alguém acusado de se declarar rei seria uma afronta a César. Assim, o julgamento de Jesus envolveu tanto a oposição de líderes judeus quanto a autoridade de Roma. Isso não significa que todos os judeus, nem todos os romanos, fossem culpados da mesma maneira.
Ao mesmo tempo, a Bíblia não apresenta os romanos apenas como inimigos. Jesus elogiou a fé de um centurião, um oficial do exército romano que pediu ajuda pra seu servo (Lucas 7:1-10). E Paulo era cidadão romano. Essa condição lhe dava certas proteções legais: em algumas ocasiões, ele pôde exigir que as autoridades respeitassem seus direitos e, mais tarde, recorreu a César para que seu caso fosse julgado (Atos 22:25-29; 25:10-12).
Paulo já conhecia uma comunidade cristã em Roma quando lhe escreveu a carta aos Romanos, embora ainda não tivesse visitado a cidade (Romanos 1:8-13). Nessa carta, ele explica de maneira ampla a mensagem do evangelho: todos precisam da salvação que Deus oferece por meio de Jesus Cristo. Depois, Paulo foi levado a Roma como prisioneiro. O livro de Atos termina contando que ele recebia pessoas e lhes anunciava o reino de Deus ali mesmo, enquanto aguardava o andamento de seu caso (Atos 28:16, 30-31).
O império também influenciou a maneira como a mensagem cristã se espalhou. Suas estradas e rotas de viagem ligavam muitas cidades. Isso facilitava o deslocamento de pessoas, inclusive dos primeiros missionários, embora viajar continuasse perigoso — as próprias viagens de Paulo mostram isso. O governo romano podia proteger um cristão em certa situação e agir contra cristãos em outra; Atos não retrata as autoridades romanas de uma única forma.
Há ainda uma possível referência a Roma no Apocalipse. A cidade não é chamada pelo nome ali, mas Apocalipse 17 fala de uma mulher chamada “Babilônia” e de sete montes ou colinas ligados à visão (Apocalipse 17:5, 9). Como Roma era conhecida por suas sete colinas, muitos cristãos entendem que essa imagem aponta, ao menos em parte, para a Roma imperial. A identificação, porém, é uma interpretação: há diferenças entre os cristãos sobre todos os detalhes da visão.
Então, o significado de Roma na Bíblia não é simplesmente o de uma cidade importante no mapa. Ela representa o poder político que marcou os acontecimentos do Novo Testamento — do nascimento e da crucificação de Jesus às viagens de Paulo — e foi também uma cidade onde havia cristãos ouvindo e anunciando o evangelho.