Rispa foi uma concubina do rei Saul e mãe de dois filhos dele, Armoni e Mefibosete (2 Samuel 3:7; 21:8). A Bíblia fala pouco sobre a vida dela, mas conta uma atitude marcante: depois que seus filhos foram mortos, Rispa permaneceu junto aos corpos deles para impedir que aves e animais os atacassem.
Ela aparece primeiro numa disputa pelo trono. Saul já havia morrido, mas Israel ainda não estava unido sob o governo de Davi. Isbosete, filho de Saul, acusou Abner, seu comandante, de ter se envolvido com Rispa. A acusação era grave porque um relacionamento com uma concubina do antigo rei podia ser entendido como uma tentativa de tomar seu lugar. Abner ficou furioso, rompeu com Isbosete e decidiu apoiar Davi (2 Samuel 3:6-12). O texto não esclarece se a acusação era verdadeira; por isso, não dá pra afirmar que Rispa tenha participado de alguma disputa pelo poder.
A segunda vez que ela aparece é bem mais dolorosa. Anos depois, Israel passou por três anos de fome. Ao consultar o Senhor, Davi soube que a situação estava ligada ao sangue derramado por Saul quando ele atacou os gibeonitas, um povo que tinha um acordo de proteção com Israel (Josué 9; 2 Samuel 21:1-2). Davi perguntou aos gibeonitas como poderia reparar aquela injustiça. Eles pediram sete homens da família de Saul, que foram entregues a eles e mortos. Entre os sete estavam Armoni e Mefibosete, os dois filhos de Rispa (2 Samuel 21:3-9). Esse Mefibosete não era o filho de Jônatas que Davi havia protegido.
Depois disso, Rispa estendeu um pano sobre uma rocha e ficou perto dos corpos. Durante o dia, afastava as aves; à noite, os animais. Ela permaneceu ali desde o começo da colheita até a chegada da chuva (2 Samuel 21:10). O texto não diz exatamente quanto tempo isso durou. O que ele deixa claro é que ela não abandonou seus filhos, mesmo depois da morte.
Quando Davi soube do que Rispa estava fazendo, mandou recolher os restos daqueles sete homens. Também trouxe os ossos de Saul e Jônatas, que estavam em Jabes-Gileade, e providenciou o sepultamento deles no túmulo da família de Saul. Depois disso, o relato diz que Deus atendeu às súplicas feitas em favor da terra (2 Samuel 21:11-14).
A morte dos sete descendentes de Saul levanta perguntas difíceis. A Bíblia liga a fome ao crime cometido contra os gibeonitas, mas não diz se aqueles sete homens participaram pessoalmente dele. Também não afirma que Davi tenha usado a situação para eliminar possíveis rivais. É importante não tratar essas hipóteses como fatos.
Rispa, por sua vez, não é lembrada por uma fala ou por uma posição de poder. Ela é lembrada por ter cuidado dos filhos quando já não podia salvá-los. E sua atitude levou Davi a cuidar do sepultamento da família de Saul.