Pastor Antônio Junior

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A Revolução Americana desobedeceu ao que Romanos 13 ensina?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Romanos 13:1-7 não permite dizer simplesmente que toda revolução é justa quando um governo se torna opressor. Mas a passagem também não resolve, sozinha, se os colonos americanos agiram contra a autoridade legítima ou se estavam se defendendo de um governo que havia ultrapassado seus limites. Por isso, cristãos que levam a Bíblia a sério podem chegar a conclusões diferentes sobre a Revolução Americana.

Paulo ensina em Romanos 13 que devemos nos sujeitar às autoridades, pagar os impostos devidos e tratá-las com respeito. A razão é importante: Deus estabeleceu o governo pra promover a ordem e punir o mal. Paulo não escreveu isso pensando apenas em governantes bons. Portanto, discordar de uma lei, considerar um imposto injusto ou desejar mais liberdade não basta, por si só, pra justificar uma revolta.

Isso não significa que o governante possa exigir qualquer coisa. Quando as autoridades proibiram os apóstolos de anunciar Jesus, eles continuaram anunciando, porque obedecer àquela ordem seria desobedecer a Deus (Atos 4:18-20; 5:29). As parteiras hebreias também se recusaram a cumprir a ordem do faraó de matar crianças (Êxodo 1:15-17). Esses casos mostram que a obediência ao governo tem um limite. Mas há uma diferença entre não cumprir uma ordem contrária a Deus e pegar em armas pra derrubar um governo. Os exemplos de desobediência não autorizam automaticamente a guerra.

É aí que a Revolução Americana se torna difícil de julgar. Os colonos não diziam que queriam acabar com todo governo. Muitos afirmavam que a Coroa britânica estava violando direitos e leis que ela própria deveria respeitar. Antes da independência, também houve pedidos de solução pacífica, seguidos por confrontos armados. Pra quem via a guerra como defesa contra o uso injusto da força, a questão não era apenas se um povo podia desobedecer ao rei. Era se devia continuar aceitando a violência de uma autoridade que, segundo entendiam, havia falhado em sua obrigação de protegê-lo.

Outros cristãos, porém, viam nisso uma rebelião contra uma autoridade real, justamente o tipo de atitude que Romanos 13 manda evitar. Também é preciso ter cuidado com o argumento de que um rei injusto deixa automaticamente de ser autoridade. Paulo não diz isso. O fato de Deus chamar os governantes a fazer o bem não significa que eles percam toda autoridade assim que fazem o mal.

Assim, a pergunta depende de questões que Romanos 13 não responde diretamente: quais eram os limites legais da autoridade da Coroa sobre os colonos? Que outras autoridades tinham responsabilidade naquele conflito? E a guerra foi uma defesa necessária ou uma rebelião que poderia ter sido evitada? A Bíblia dá princípios pra avaliar essas perguntas, mas não apresenta um veredito sobre aquele acontecimento histórico.

Podemos afirmar com segurança o seguinte: Romanos 13 cria uma forte obrigação de respeitar o governo; a injustiça de um governante não torna qualquer revolta legítima. Ao mesmo tempo, não é preciso concluir que toda resistência armada diante de uma agressão seja proibida por essa passagem. Por isso, seria exagerado declarar, sem considerar as circunstâncias da guerra, que a Revolução Americana foi claramente uma violação de Romanos 13 — ou que foi claramente exigida pela Bíblia.