Foi uma grande rebelião dos judeus contra o domínio romano na Judeia, entre 132 e 135 d.C. Seu líder era Simão bar Kosiba, conhecido como Bar Kokhba, nome que significa “Filho da Estrela”. Durante algum tempo, os rebeldes conseguiram controlar partes da região e governá-las por conta própria. Roma, porém, enviou mais tropas, derrotou a revolta e impôs duras consequências à população judaica.
Pra entender por que isso aconteceu, é preciso voltar um pouco. Na época de Jesus, os judeus já viviam sob o governo de Roma. Havia tensão por causa desse domínio. Em João 11:48, por exemplo, líderes judeus temem que a agitação em torno de Jesus provoque uma reação romana contra o povo e o templo. Décadas depois, houve uma guerra entre judeus e romanos, e, no ano 70 d.C., os romanos destruíram Jerusalém e o templo. A revolta de Bar Kokhba aconteceu cerca de sessenta anos depois, num povo que ainda vivia com as consequências daquela derrota.
Não sabemos com certeza qual foi a causa imediata da nova rebelião. A decisão do imperador Adriano de transformar Jerusalém numa cidade romana, chamada *Aelia Capitolina*, está ligada ao conflito, mas os historiadores discutem se ela veio antes da revolta ou se foi uma resposta a ela. Também há relatos sobre uma proibição da circuncisão, embora seu momento e seu papel no início da guerra não estejam claros. O que sabemos é que muitos judeus resistiam ao controle de Roma e queriam voltar a governar sua terra.
Bar Kokhba organizou essa resistência. Moedas cunhadas pelos rebeldes e documentos da época mostram que não se tratou apenas de ataques isolados: houve uma tentativa de estabelecer um governo judeu independente. Algumas pessoas chegaram a ver nele o Messias esperado. Um rabino influente, chamado Akiva, é associado nas fontes antigas a essa esperança. O título “Filho da Estrela” provavelmente fazia referência a Números 24:17, passagem que fala de uma estrela surgindo de Jacó e que era entendida por alguns como uma promessa sobre o Messias.
Mas o Novo Testamento apresenta Jesus, e não Bar Kokhba, como o Messias. Jesus também advertiu que surgiriam pessoas fazendo reivindicações messiânicas e que seus seguidores não deveriam se deixar enganar (Mateus 24:5). Ao mesmo tempo, é importante não atribuir à Bíblia um relato que ela não faz: a revolta ocorreu depois do período narrado no Novo Testamento. Sabemos dela por fontes históricas, não por uma passagem bíblica que descreva suas batalhas.
Roma acabou vencendo os rebeldes. Bar Kokhba morreu durante a guerra, e muitas pessoas foram mortas ou perderam suas casas. Depois, Jerusalém passou por uma transformação romana ainda maior, e os judeus foram proibidos de morar na cidade, com exceções limitadas em ocasiões específicas. A revolta não iniciou a dispersão dos judeus pelo mundo — já havia comunidades judaicas fora da Judeia muito antes disso —, mas agravou profundamente a perda de seu centro político na região.
Em resumo, Bar Kokhba liderou uma tentativa de recuperar a independência judaica diante de Roma. A revolta trouxe esperança de libertação a muitos judeus, inclusive esperança messiânica, mas terminou numa derrota devastadora.