Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Qual é o problema em acreditar que Deus ainda revela novas verdades?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Depende do que se quer dizer com “revela”. Se a ideia é que Deus ainda ajuda as pessoas a entender a Bíblia, mostra pecados que precisam abandonar e as orienta a viver o que ele ensinou, isso faz parte da vida cristã. O problema começa quando alguém afirma ter recebido uma nova mensagem de Deus que todos os cristãos devem aceitar como autoridade, no mesmo nível da Bíblia — ou até acima dela.

A diferença é importante. Uma pessoa pode ler uma passagem bíblica e perceber, pela primeira vez, que precisa perdoar alguém. Aquela compreensão é nova *pra ela*, mas o ensino não é novo. É bem diferente de alguém dizer: “Deus me revelou uma doutrina que a igreja inteira deve seguir, mesmo que ela não esteja nas Escrituras.”

A Bíblia nos dá razões pra tratar essa segunda afirmação com muito cuidado. Hebreus 1:1–3 mostra que Deus falou de muitas maneiras no passado e que sua revelação chegou ao ponto mais alto em Jesus Cristo. Os apóstolos, que deram testemunho dele, aparecem em Efésios 2:20 ligados ao fundamento da igreja. Além disso, Paulo ensina que as Escrituras preparam o servo de Deus pra toda boa obra (2 Timóteo 3:16–17), e Judas fala da fé entregue aos santos de uma vez por todas (Judas 3). Juntas, essas passagens sustentam a confiança de que a igreja não precisa de novas doutrinas com a mesma autoridade da Palavra que recebeu.

Isso não significa que cada um desses textos, isoladamente, diga com todas as palavras: “Nenhuma revelação de qualquer tipo ocorrerá depois dos apóstolos.” Também é bom não usar Apocalipse 22:18–19 como se sua advertência sobre acrescentar palavras se referisse diretamente à Bíblia inteira; ali, o aviso se aplica ao livro de Apocalipse. Ainda assim, o princípio é sério: ninguém tem liberdade pra alterar uma mensagem dada por Deus.

O perigo prático fica mais claro quando alguém diz: “Deus me falou, portanto você deve obedecer.” Se essa mensagem pode estabelecer uma crença nova ou contrariar o ensino bíblico, quem a recebeu acaba exercendo uma autoridade que não pode ser questionada pelas Escrituras. Por isso, a Bíblia manda examinar as alegações espirituais, em vez de aceitá-las só porque parecem sinceras ou impressionantes (1 João 4:1).

Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia divergem sobre se Deus ainda pode dar orientações específicas, impressões ou mensagens proféticas hoje. Essa discussão não deve ser confundida com a ideia de acrescentar uma nova doutrina obrigatória à fé cristã. Mesmo quem entende que certos dons espirituais continuam precisa submeter qualquer alegação desse tipo ao ensino bíblico, sem tratá-la como uma nova Escritura.

Portanto, o problema não é acreditar que Deus continua agindo e guiando seu povo. O problema é dar a uma mensagem atual a autoridade de definir ou corrigir aquilo que os cristãos devem crer. Deus ainda nos ensina; isso não nos dá motivo pra colocar a palavra de alguém no mesmo nível da Bíblia.