A Bíblia ensina que nossas escolhas importam e que não podemos simplesmente colocar nos outros a culpa pelo que fazemos. Isso não significa que controlamos tudo o que acontece conosco. Significa que somos responsáveis pela maneira como agimos diante de Deus e das pessoas.
Ezequiel tratou dessa questão quando o povo de Israel dizia, em outras palavras, que estava sofrendo pelos pecados dos seus antepassados e não podia fazer nada a respeito. Deus respondeu que cada pessoa devia prestar contas da própria conduta. Um filho não seria considerado culpado apenas porque seu pai havia pecado, nem um pai seria considerado justo apenas porque seu filho fazia o bem (Ezequiel 18:20). O passado da família pode nos afetar profundamente, mas não tira de nós a responsabilidade pelas escolhas que fazemos agora. Por isso, no mesmo capítulo, Deus chama as pessoas a abandonar o mal e voltar-se pra ele (Ezequiel 18:30-32).
Desde o começo da Bíblia, vemos como é fácil fugir dessa responsabilidade. Depois de desobedecer a Deus, Adão apontou pra Eva; Eva apontou pra serpente (Gênesis 3:11-13). O que disseram não mudou o fato de que tinham desobedecido. Reconhecer o próprio erro é difícil, mas culpar outra pessoa não o resolve.
Essa responsabilidade aparece nas decisões comuns da vida. Precisamos ser honestos, cumprir nossos compromissos, cuidar de quem depende de nós e trabalhar quando temos condições de fazer isso. Paulo corrigiu pessoas que *não queriam* trabalhar, embora pudessem (2 Tessalonicenses 3:10-12). Ele não estava condenando quem deseja trabalhar, mas não consegue por doença, falta de oportunidade ou outra dificuldade. A Bíblia também nos chama a ajudar quem precisa; assumir nossas responsabilidades não é uma desculpa pra abandonar os outros (Gálatas 6:2).
Paulo diz ainda que uma pessoa colhe o que planta (Gálatas 6:7-9). Nossas atitudes têm consequências, mesmo quando tentamos ignorá-las. Mas isso não quer dizer que todo sofrimento seja castigo por uma escolha errada. Pessoas justas também sofrem. O ponto é que devemos levar a sério a maneira como vivemos, sem imaginar que nossas decisões não fazem diferença.
A responsabilidade mais importante diante de Deus é reconhecer o pecado e responder ao chamado de Jesus pra se arrepender e crer no evangelho (Marcos 1:15). Ninguém pode fazer isso em nosso lugar. Ao mesmo tempo, não conseguimos apagar nossa culpa apenas nos esforçando mais. Precisamos do perdão que Deus oferece por meio de Cristo. E quem recebe esse perdão não ganha licença pra continuar fazendo o mal: passa a buscar uma vida de boas obras (Efésios 2:8-10).
Assumir a responsabilidade pessoal, portanto, não é dizer “tudo depende de mim”. É poder dizer a verdade sobre o que fiz, corrigir o que estiver ao meu alcance, pedir perdão quando necessário e confiar em Deus pra aprender a viver de outra maneira.