Não. Um cristão pode se identificar com um desses partidos, votar em candidatos deles ou não se identificar com nenhum dos dois. A Bíblia não manda seguir um partido político. Ela nos dá princípios pra avaliar propostas, candidatos e a maneira como nós mesmos participamos da política.
Isso não significa que todas as posições políticas sejam iguais diante de Deus. A Bíblia ensina, por exemplo, que toda pessoa tem valor por ter sido criada à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27). Por isso, o cristão precisa levar a sério questões que envolvem a proteção da vida, inclusive a vida antes do nascimento (Salmo 139:13-16). Também deve se importar com os pobres e vulneráveis (Tiago 1:27), com a justiça (Miqueias 6:8) e com a honestidade de quem exerce autoridade. Esses compromissos não podem ser deixados de lado por fidelidade a um partido.
Ao mesmo tempo, concordar com um princípio bíblico não resolve automaticamente toda decisão política. Dois cristãos podem concordar que é preciso cuidar de quem passa necessidade e discordar sobre a melhor forma de fazer isso: por meio de programas públicos, de organizações da sociedade ou de uma combinação dos dois. A Bíblia manda pagar os impostos devidos e reconhece responsabilidades do governo (Romanos 13:1-7), mas não determina uma taxa de imposto nem apresenta um modelo econômico completo. Nesses assuntos, há espaço pra diferenças de opinião.
Há também questões nas quais a discordância é mais profunda. A visão bíblica do casamento, por exemplo, é um assunto importante pra muitos cristãos (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-6). Ainda assim, cristãos que concordam sobre o ensino da igreja podem discordar sobre como o Estado deve tratar o casamento civil. É importante não confundir o que a Bíblia ensina sobre a vida cristã com uma resposta pronta pra cada lei ou decisão de governo.
Na hora de votar, vale olhar além de uma única proposta. O candidato é honesto? Trata as pessoas com respeito? Tem condições de governar? Como suas decisões podem afetar os mais vulneráveis? As exigências bíblicas pra líderes da igreja não são uma lista de requisitos pra ocupar um cargo público, mas mostram que o caráter de um líder importa (1 Timóteo 3:1-13).
Por fim, o cristão não precisa defender tudo o que seu partido faz, nem tratar quem vota diferente como inimigo. Pode discordar com firmeza, participar da vida pública e continuar orando por quem governa, inclusive quando não votou nessa pessoa (1 Timóteo 2:1-2). Sua lealdade principal é a Cristo, não aos republicanos nem aos democratas. É por causa dessa lealdade que ele deve levar suas escolhas políticas a sério, sem entregar a nenhum partido a autoridade de decidir por ele o que é certo.