Elas podem viver em paz, mesmo sem concordar sobre Deus. A dificuldade não é simplesmente existir mais de uma religião. O problema aparece quando alguém transforma sua convicção religiosa em motivo pra desprezar, perseguir ou atacar quem pensa diferente.
Isso não quer dizer que as diferenças entre as religiões sejam pequenas. Elas dão respostas diferentes a perguntas importantes: quem é Deus, como devemos viver e o que acontece depois da morte. Um cristão, por exemplo, crê que Jesus é o caminho pra conhecer o Pai (João 14:6). Ele não precisa fingir que todas as religiões ensinam a mesma coisa pra tratar seus seguidores com respeito. Discordar de uma crença não dá a ninguém o direito de maltratar a pessoa que a possui.
A Bíblia ajuda a entender por que até assuntos ligados à fé podem se tornar motivo de briga. Tiago diz que as disputas nascem dos desejos que entram em conflito dentro das pessoas (Tiago 4:1-2). O desejo de ter poder, o orgulho, o medo e a vontade de vencer a qualquer custo podem se misturar à religião. Quando isso acontece, pessoas usam o nome de Deus pra justificar atitudes que deveriam abandonar.
Por isso, também é preciso olhar com honestidade pra história. Houve violência cometida por pessoas e instituições que se diziam cristãs. Não adianta negar isso nem tratar o sofrimento causado como algo sem importância. Ao mesmo tempo, pra saber se essa violência expressa o ensino de Jesus, precisamos ouvir o que ele ensinou. Jesus mandou seus seguidores amar os inimigos e orar por quem os persegue (Mateus 5:44). Paulo orientou os cristãos a buscar a paz com todos, naquilo que depender deles (Romanos 12:18). E Pedro ensinou que a fé deve ser explicada com mansidão e respeito (1 Pedro 3:15).
Isso não significa que toda discussão vai acabar ou que a paz depende só de uma pessoa. Significa que, para o cristão, a resposta à discordância não deve ser a violência. Ele pode falar com clareza sobre o que crê, ouvir o outro e se recusar a tratá-lo como inimigo.
A resposta cristã vai além de pedir que as pessoas se comportem melhor. A Bíblia ensina que o pecado afeta o coração humano; por isso, precisamos da mudança que Deus faz em nós por meio de Cristo (2 Coríntios 5:17). Essa mudança deve aparecer também no modo como tratamos quem não compartilha da nossa fé.
Então, religiões diferentes podem coexistir pacificamente sem concordar entre si. O cristão não precisa abrir mão daquilo que crê ser verdadeiro. Mas, se segue Jesus, precisa lembrar que defender a própria fé nunca é uma licença pra ferir o próximo.