A Bíblia mostra que, antes da volta de Jesus, haverá um grande engano religioso. Muita gente será levada a adorar a besta — o governante contrário a Deus apresentado em Apocalipse —, e um personagem chamado falso profeta promoverá essa adoração (Apocalipse 13:11-15). O que a Bíblia não diz é o nome de uma religião atual que, com certeza, se tornará “a religião mundial” do fim dos tempos.
Parte da dúvida vem de Apocalipse 17. Ali aparece uma mulher chamada “Babilônia, a Grande”, descrita como uma prostituta. Não se trata de uma mulher literal. A figura mostra infidelidade a Deus: ela se associa aos governantes da terra, exerce grande influência sobre os povos e persegue os que dão testemunho de Jesus (Apocalipse 17:1-6, 15).
É por isso que muitos cristãos entendem que Babilônia inclui uma falsa religião: um modo de adorar que afasta as pessoas de Deus e se alia ao poder político. Essa leitura tem fundamento, mas é preciso tomar cuidado com um detalhe. Apocalipse também chama Babilônia de “grande cidade” e, no capítulo seguinte, descreve sua riqueza e suas relações comerciais (Apocalipse 17:18; 18:3, 11-19). Portanto, a imagem parece envolver mais do que uma instituição religiosa isolada. Cristãos que levam a Bíblia a sério divergem sobre a melhor maneira de identificar Babilônia e sobre quanto dessa visão se refere especificamente aos acontecimentos finais.
Já em Apocalipse 13, a adoração da besta aparece de forma direta. O falso profeta engana as pessoas por meio de sinais e as leva a fazer uma imagem da besta. O texto também fala de perseguição contra quem se recusa a adorá-la e de restrições pra comprar e vender impostas por meio da marca da besta (Apocalipse 13:12-17). Mais adiante, João menciona pessoas que morreram por não adorar a besta nem receber sua marca (Apocalipse 20:4).
Isso não autoriza apontar, com certeza, o catolicismo, o islamismo, o movimento da Nova Era ou qualquer outro grupo de hoje como a religião final descrita na profecia. Também não sabemos se o engano assumirá a forma de uma única organização religiosa ou se reunirá práticas e crenças diferentes. Apocalipse nos dá características desse engano, não o nome de uma instituição atual.
Há ainda um detalhe importante: Apocalipse 17 diz que a besta e seus aliados acabarão destruindo a mulher (Apocalipse 17:16-17). Mas o texto não explica isso dizendo que a besta primeiro compartilhará a adoração com ela e depois decidirá recebê-la sozinha. Essa é uma possível interpretação dos acontecimentos, não algo que a passagem afirme.
Então, a resposta mais segura é esta: no fim, haverá uma adoração falsa, promovida por engano e ligada à oposição a Cristo; mas a Bíblia não identifica de maneira inequívoca uma religião mundial pelo nome. Em vez de tentar adivinhar qual grupo atual ocupará esse lugar, o alerta de Jesus é pra não nos deixarmos enganar por sinais impressionantes ou por pessoas que se apresentam como salvadoras (Mateus 24:23-25). O ponto decisivo é permanecer fiel a ele.