A fidelidade importa muito. Mas, na compreensão cristã tradicional da Bíblia, ser fiel a uma só pessoa não basta para tornar correto todo relacionamento sexual. O ensino bíblico é que a intimidade sexual pertence ao casamento entre homem e mulher. Por isso, nessa compreensão, um relacionamento sexual entre pessoas do mesmo sexo continua fora do padrão bíblico, mesmo quando há amor, compromisso e exclusividade.
O ponto de partida é o que a Bíblia diz sobre o casamento. Gênesis 2:24 apresenta o homem deixando seus pais e se unindo à sua mulher. Quando Jesus fala sobre casamento, retoma essa passagem e menciona que Deus criou homem e mulher (Marcos 10:6–9). Assim, a conclusão tradicional não depende apenas de uma proibição isolada: ela considera tanto a maneira como o casamento é apresentado quanto o ensino bíblico sobre a sexualidade.
Há também passagens que tratam diretamente de relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Levítico 18:22 proíbe a relação sexual entre homens. No Novo Testamento, Romanos 1:26–27 fala de relações entre pessoas do mesmo sexo, incluindo mulheres e homens. Paulo volta ao assunto em 1 Coríntios 6:9–11 e 1 Timóteo 1:10. Esses textos não dizem que o problema seja *ter vários parceiros* em vez de apenas um. É por isso que a interpretação cristã tradicional entende que a monogamia, embora seja uma forma de fidelidade, não muda a avaliação bíblica dessas relações.
Alguns cristãos interpretam essas passagens de outro modo. Eles argumentam que os autores bíblicos tinham em vista práticas marcadas por exploração, idolatria ou falta de compromisso, e não um casal do mesmo sexo que vive uma relação fiel. É uma distinção importante de conhecer. A dificuldade dessa leitura é que os textos não limitam expressamente a proibição a relações abusivas ou promíscuas. Por isso, muitos cristãos entendem que ela também se aplica a relações estáveis.
Isso não significa dizer que sentir atração por alguém do mesmo sexo é a mesma coisa que praticar um ato sexual, nem que duas pessoas do mesmo sexo não possam ter uma amizade profunda e fiel. A pergunta aqui é sobre um relacionamento amoroso com intimidade sexual. Também não significa que ter filhos seja uma exigência para um casamento ser legítimo: casais que não podem ter filhos não deixam, por isso, de estar casados.
Por fim, ninguém deve usar esse ensino para humilhar pessoas. A Bíblia chama todos a levar a sexualidade a sério, trata todos como pessoas de valor diante de Deus e oferece graça a todos por meio de Jesus (1 Coríntios 6:11). Portanto, a resposta tradicional à pergunta é sim, se o relacionamento inclui intimidade sexual. A fidelidade entre os parceiros é boa, mas, segundo essa leitura das Escrituras, ela não altera os limites que Deus estabeleceu para essa intimidade.