A Bíblia não usa a expressão “relacionamento queerplatônico”. Por isso, não dá pra dizer que ela aprova ou condena todos esses relacionamentos como se fossem iguais. O que importa é entender como as pessoas se relacionam e, então, avaliar isso à luz do que a Bíblia ensina.
Em geral, a expressão descreve uma relação de compromisso e companheirismo que as pessoas envolvidas não consideram um namoro nem um casamento. Algumas dividem a casa ou planejam a vida juntas. Outras simplesmente têm uma amizade muito próxima. O termo não significa, por si só, que as pessoas sejam assexuais, tenham relações sexuais ou desejem desafiar a Deus. É preciso conhecer a relação antes de julgá-la.
A Bíblia dá muito valor à amizade. Davi e Jônatas, por exemplo, tinham uma amizade marcada por profundo afeto e lealdade (1 Samuel 18:1-3; 20:17). Jesus também falou de seus discípulos como amigos (João 15:13-15). Portanto, duas pessoas podem se amar, cuidar uma da outra e assumir compromissos de ajuda mútua sem que isso seja pecado. Quem não se casa também não precisa viver sem vínculos profundos. Em 1 Coríntios 7, Paulo fala da vida de solteiro como uma possibilidade legítima, não como uma obrigação de ficar sozinho.
Isso não quer dizer que qualquer coisa esteja certa dentro de uma relação não romântica. O nome dado a ela não muda o que acontece nela. Segundo a compreensão evangélica tradicional, Deus reservou a intimidade sexual pro casamento entre homem e mulher (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-6; 1 Coríntios 7:2). Assim, uma relação sexual fora desse casamento contraria esse entendimento bíblico, ainda que as pessoas não a chamem de namoro. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia discordam sobre a aplicação dos textos às relações entre pessoas do mesmo sexo; essa é uma divergência real, que não deve ser escondida.
E se não houver sexo? Nesse caso, não há base bíblica pra declarar a relação pecaminosa só porque duas pessoas têm um compromisso forte, demonstram carinho ou preferem não se casar. É verdade que a Bíblia também se importa com o que acontece no coração, não apenas com os atos externos (Mateus 5:28). Mas não podemos presumir desejos ou intenções pecaminosas apenas porque uma amizade é diferente do que estamos acostumados a ver.
A pergunta mais útil, então, é: essa relação é vivida com honestidade, respeito e amor ao próximo, ou envolve práticas que contrariam os ensinamentos bíblicos? Essa avaliação vale pra qualquer relacionamento. O casamento é uma boa dádiva de Deus, mas não é a única forma de ter companhia e amar profundamente outra pessoa. A Bíblia nos chama a tratar cada pessoa com dignidade e a avaliar o que ela faz com justiça — sem condená-la apenas pelo nome que usa pra descrever sua relação.