Não. Jesus mandou seus seguidores anunciar o evangelho e convidar as pessoas a segui-lo, não obrigá-las a viver como cristãs. Uma pessoa pode ser forçada a cumprir uma regra, mas não pode ser forçada a confiar em Cristo ou a amá-lo.
Essa diferença aparece quando Jesus é interrogado por Pilatos, o governador romano. Jesus diz que seu reino não é deste mundo e explica que, se fosse como os reinos que disputam poder pela força, seus seguidores lutariam pra impedir sua prisão (João 18:36). Ele não estava dizendo que seu reino não tem importância pra vida neste mundo. Estava mostrando que seu reino não é estabelecido pelos meios de um governo que conquista e obriga as pessoas a obedecer.
Depois de ressuscitar, Jesus deu aos discípulos uma tarefa: fazer discípulos entre todos os povos, ensinando as pessoas a obedecer ao que ele ordenou (Mateus 28:18-20). Eles deveriam falar de Jesus e ensinar quem decidisse segui-lo. Não receberam a ordem de tomar o poder político pra impor essa decisão aos demais. O livro de Atos mostra os primeiros cristãos anunciando a mensagem de Jesus, mesmo quando enfrentavam oposição, e não tentando obrigar outras pessoas a aceitá-la (Atos 1:8; 4:18-20).
Isso também ajuda a entender uma diferença entre o Antigo e o Novo Testamento. Israel recebeu leis pra viver como povo numa terra específica. Já a igreja de Jesus reúne pessoas de diferentes povos e lugares. O Novo Testamento não manda a igreja transformar as leis dadas a Israel num código obrigatório pra todas as nações. Por isso, defender que os cristãos precisam conquistar o governo e aplicar essas leis a todos vai além da missão que Jesus deu à igreja.
Mas não impor a fé não significa que o cristão deva ficar calado diante da injustiça. Ele pode participar da vida pública, defender leis justas, proteger quem sofre e explicar suas convicções. Cristãos também podem discordar sobre quais leis são melhores pra sociedade. A questão é não confundir uma lei civil com a entrada no reino de Deus. Uma lei pode impedir uma agressão, por exemplo, e isso é importante. Mas ela não faz alguém se arrepender nem confiar em Jesus.
O chamado cristão, portanto, não é controlar as pessoas pra que pareçam discípulos. É anunciar Cristo com fidelidade, tratar o próximo com amor e ensinar aqueles que desejam segui-lo. Como Paulo explica, é Deus quem age nas pessoas e continua a boa obra que começou nelas (Filipenses 1:6). Podemos compartilhar a mensagem e viver de acordo com ela; não podemos produzir fé pela força.