Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que ensina a teologia do Reino Agora?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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A ideia principal é esta: a Igreja deve estabelecer o governo de Deus sobre a sociedade antes da volta de Jesus. Em algumas versões desse ensino, os cristãos precisam assumir posições de autoridade nas instituições, transformar governos e leis e vencer as forças do mal. Só então Cristo voltaria para receber um mundo preparado pra ele.

É importante não colocar toda pessoa que fala em “Reino de Deus agora” nesse mesmo grupo. Jesus anunciou que o Reino de Deus havia chegado com ele (Marcos 1:15; Lucas 11:20). Por isso, cristãos de várias tradições creem que Deus já está agindo no mundo e que seus seguidores devem fazer o bem na sociedade. A questão não é se a fé deve influenciar a vida pública. A questão é se a Bíblia ensina que a Igreja precisa conquistar o mundo para tornar possível a volta de Cristo.

Alguns ensinamentos associados ao Reino Agora vão além disso. Há quem diga que Deus perdeu o controle da terra quando Adão e Eva pecaram e que agora depende de um grupo especial de cristãos para recuperá-lo. Outros atribuem aos crentes o poder de trazer coisas à existência por meio de declarações de fé. Também há versões que dão a supostos apóstolos e profetas atuais uma autoridade decisiva para conduzir essa transformação. Nem todos os que usam o nome “Reino Agora” defendem cada uma dessas ideias, então é mais justo avaliar o que cada pessoa realmente ensina.

A Bíblia não diz que Deus perdeu o controle do mundo. O pecado teve consequências profundas, e Satanás exerce influência real sobre pessoas e sociedades (1 João 5:19). Mas ele não tomou o lugar de Deus. Deus continua soberano, e Jesus, depois de ressuscitar, declarou que recebeu toda a autoridade no céu e na terra (Mateus 28:18). Assim, a missão da Igreja não é devolver a Deus um poder que ele perdeu. É anunciar Cristo, fazer discípulos e viver de acordo com a vontade dele (Mateus 28:19-20).

Também há uma diferença entre orar com fé e achar que nossas palavras têm, por si mesmas, o poder de criar o que desejamos. A Bíblia nos incentiva a pedir a Deus e a confiar nele. Ao mesmo tempo, ensina que nossos pedidos devem estar sujeitos à vontade dele (1 João 5:14). O Espírito Santo habita nos cristãos, mas isso não os torna iguais a Jesus nem lhes dá a autoridade que pertence a Deus. Quando 2 Pedro 1:4 fala da participação dos cristãos na natureza divina, o contexto aponta para uma vida transformada, livre da corrupção do pecado — não para pessoas se tornando deuses.

Quanto à volta de Cristo, o Novo Testamento não a apresenta como uma recompensa pela conquista política ou social da Igreja. Os cristãos devem esperar por Jesus e permanecer fiéis a ele, sem deixar de fazer o bem enquanto esperam (Tito 2:11-14). Em 1 Tessalonicenses 4:16-17, Paulo descreve a vinda do Senhor, a ressurreição dos que morreram em Cristo e o encontro dos cristãos com ele. Não está falando apenas de uma emoção intensa. E Apocalipse 19 retrata Cristo agindo contra o mal; não descreve uma terra da qual a Igreja já eliminou todo inimigo. Paulo ainda diz que a morte será destruída como o último inimigo no cumprimento final do reinado de Cristo (1 Coríntios 15:25-26).

Existe, porém, um ponto que exige mais cuidado: a relação entre Israel e a Igreja. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia entendem de maneiras diferentes como as promessas feitas a Israel se cumprem em Cristo e como se relacionam com a Igreja. Não seria correto tratar uma dessas interpretações, por si só, como prova de que alguém segue a teologia do Reino Agora.

Em resumo, a Bíblia nos chama a servir a Deus agora, inclusive na maneira como tratamos as pessoas e agimos na sociedade. Mas não ensina que Deus perdeu o domínio da terra, que cristãos podem criar realidades com suas palavras ou que Jesus depende de uma conquista humana para voltar. A esperança cristã está em Cristo, que já reina e cumprirá seus propósitos.