Manassés foi um rei de Judá que ficou conhecido por duas coisas muito diferentes: levou o povo a cometer pecados graves, mas, depois de ser levado prisioneiro, se arrependeu e buscou a Deus. Sua história aparece principalmente em 2 Reis 21 e 2 Crônicas 33.
Ele era filho do rei Ezequias. Começou a reinar aos doze anos e governou por cinquenta e cinco anos em Jerusalém. Ezequias havia combatido a adoração a outros deuses em Judá, mas Manassés fez o contrário. Reconstruiu lugares de culto que seu pai tinha destruído, levantou altares a falsos deuses e chegou a colocar ídolos no templo do Senhor. A Bíblia também diz que ele sacrificou seus filhos, praticou adivinhação e derramou muito sangue inocente (2 Reis 21:1-7, 16; 2 Crônicas 33:6).
O problema não ficou só na vida particular do rei. Manassés usou sua posição para levar Judá a se afastar de Deus. Por isso, os profetas anunciaram o julgamento de Jerusalém (2 Reis 21:10-15). Mais tarde, mesmo depois da morte de Manassés, a Bíblia ainda relaciona os pecados daquele período às calamidades que vieram sobre Judá (Jeremias 15:4). Isso mostra como as decisões de um governante podem prejudicar muita gente por muito tempo.
Mas a história de Manassés não termina aí. Segundo 2 Crônicas 33:10-13, Deus advertiu o rei e o povo, mas eles não deram ouvidos. Então comandantes assírios prenderam Manassés e o levaram para a Babilônia. Na sua aflição, ele se humilhou, orou ao Senhor e foi atendido. Deus permitiu que voltasse a Jerusalém e ao seu reino.
Depois de voltar, Manassés retirou os ídolos e os altares que havia colocado no templo e em Jerusalém, restaurou o altar do Senhor e ordenou ao povo que servisse a Deus (2 Crônicas 33:14-16). Sua mudança, porém, não apagou tudo o que tinha acontecido antes. O povo ainda oferecia sacrifícios nos lugares altos, embora o texto diga que os oferecia ao Senhor. Depois da morte de Manassés, seu filho Amom voltou a adorar os ídolos e não se humilhou como o pai havia feito (2 Crônicas 33:17, 21-23).
Assim, Manassés não foi apenas um rei perverso nem apenas um rei arrependido: a Bíblia conta as duas partes da sua vida. Sua história mostra que Deus ouviu um homem que havia cometido pecados terríveis quando ele se humilhou e orou. Também mostra que o arrependimento não desfaz automaticamente as consequências do mal que alguém causou aos outros.