Jeoiaquim foi um dos últimos reis de Judá antes de Jerusalém cair nas mãos da Babilônia. Ele governou por onze anos, mas a Bíblia o lembra principalmente por rejeitar as advertências que Deus lhe enviou por meio dos profetas — a ponto de queimar um rolo que continha a mensagem de Jeremias.
Seu nome antes de se tornar rei era Eliaquim. Ele era filho de Josias, um rei que havia combatido a adoração de ídolos e procurado levar o povo de volta à obediência a Deus. Depois da morte de Josias, outro filho seu, Jeoacaz, assumiu o trono. Três meses depois, o faraó do Egito o tirou do poder, colocou Eliaquim em seu lugar e mudou seu nome para Jeoiaquim. Ele tinha 25 anos quando começou a reinar (2 Reis 23:30-36).
Ser filho de Josias não significou seguir o exemplo dele. Segundo 2 Reis 23:37, Jeoiaquim fez o que era mau aos olhos do Senhor. O profeta Jeremias também o criticou por injustiça e exploração, mostrando que seu problema não era apenas deixar de praticar a religião: a maneira como tratava as pessoas também contrariava a vontade de Deus (Jeremias 22:13-17).
Um episódio mostra bem como ele reagia quando era corrigido. Jeremias mandou escrever num rolo as mensagens que havia recebido de Deus. Quando o rolo foi lido diante do rei, Jeoiaquim cortou as partes já lidas e as jogou no fogo, até queimá-lo inteiro. Alguns de seus oficiais pediram que ele parasse, mas ele não ouviu. Deus, então, mandou Jeremias escrever outro rolo com a mesma mensagem e outras palavras acrescentadas (Jeremias 36). O rei conseguiu queimar o papel, mas não impediu que a advertência chegasse ao povo. Jeremias 26:20-23 relata ainda que Jeoiaquim mandou matar Urias, outro profeta que havia anunciado o julgamento de Deus sobre Judá.
Seu reinado também foi marcado pela disputa entre grandes potências. Primeiro, Judá esteve sob o domínio do Egito. Depois, Nabucodonosor, rei da Babilônia, passou a dominar a região. Jeoiaquim ficou sujeito a ele por três anos e, em seguida, se rebelou. Os ataques contra Judá se intensificaram (2 Reis 24:1-4). Jeremias advertia que aquilo não era apenas uma crise política: Judá persistia em seus pecados e se recusava a ouvir a palavra de Deus.
Jeoiaquim morreu após onze anos de reinado, e seu filho Joaquim o sucedeu (2 Reis 23:36; 24:6). A Bíblia não explica com clareza como Jeoiaquim morreu nem confirma todos os detalhes de seu sepultamento. Jeremias anunciou um fim desonroso pra ele (Jeremias 22:18-19), mas não é seguro apresentar como fato cada detalhe de como essa profecia se cumpriu. Pouco depois, Joaquim foi levado cativo pra Babilônia (2 Reis 24:8-15). Os nomes parecidos podem confundir: *Jeoiaquim* era o pai; *Joaquim*, o filho que reinou depois dele.
A história de Jeoiaquim mostra que ter recebido um bom exemplo em casa não substitui a decisão de ouvir a Deus. Ele conhecia a mensagem, mas preferiu rejeitá-la. É isso que torna tão marcante a cena do rolo queimado: o problema não era falta de oportunidade pra entender, e sim sua recusa em aceitar a correção.