A Regra de Granville Sharp é uma observação sobre a gramática do grego, língua em que o Novo Testamento foi escrito. Ela ajuda a responder uma pergunta importante: quando um texto chama alguém de “Deus e Salvador”, está falando de uma pessoa só ou de duas?
A ideia é mais simples do que o nome parece. Em certas frases gregas, aparecem dois títulos para uma pessoa, ligados pela palavra *kai*, que geralmente significa “e”. Se o artigo definido aparece antes do primeiro título, mas não é repetido antes do segundo, os dois títulos se referem à mesma pessoa.
Pense numa frase em português: “Encontrei o médico e diretor do hospital.” O jeito de falar sugere que encontrei uma pessoa que exerce as duas funções. Esse exemplo ajuda a entender a ideia, mas a regra de Sharp trata especificamente da gramática grega; não se deve aplicá-la automaticamente ao português ou a qualquer frase que tenha a palavra “e”.
Foi o estudioso inglês Granville Sharp, no fim do século XVIII, quem chamou atenção para essa construção e sua importância na leitura do Novo Testamento. Dois exemplos conhecidos estão em Tito 2:13 e 2 Pedro 1:1. Nos dois textos, “Deus” e “Salvador” são ligados por “e”, e o artigo grego aparece antes do primeiro título, sem ser repetido antes do segundo. Nessa construção, os dois títulos se referem a Jesus Cristo. Ou seja, os textos o apresentam como Deus e Salvador.
Isso não quer dizer que toda vez que dois títulos aparecem juntos eles falam da mesma pessoa. A regra depende de condições específicas no texto grego, como o tipo de palavras usadas e a maneira como o artigo aparece. Também não é a única razão pela qual os cristãos afirmam a divindade de Jesus. Ela ajuda, porém, a ler com cuidado essas duas passagens: nelas, “Deus” não aponta para uma pessoa e “Salvador Jesus Cristo” para outra. Os dois títulos apontam para Jesus.