A expressão *teologia da decisão* costuma ser usada pra falar da ideia de que uma pessoa nasce de novo quando decide aceitar Jesus. Em algumas igrejas, essa decisão é expressa numa oração, ao levantar a mão ou ao ir à frente depois de uma pregação. A dúvida importante é: o que salva a pessoa — a decisão que ela tomou ou a ação de Deus nela?
A Bíblia chama as pessoas a responder ao evangelho. Quando perguntaram a Paulo e Silas o que fazer pra serem salvos, eles responderam que deveriam crer no Senhor Jesus (Atos 16:30-31). Pedro também chamou seus ouvintes ao arrependimento (Atos 3:19). Portanto, não há problema em dizer que alguém precisa se arrepender e crer. Isso envolve a pessoa de verdade: ela não é salva sem confiar em Cristo.
Mas a Bíblia não apresenta essa resposta como uma conquista humana que produz, por si só, o novo nascimento. Jesus ensinou que nascer de novo é obra do Espírito Santo (João 3:3-8). Paulo disse que somos salvos pela graça, mediante a fé, e não por obras das quais possamos nos orgulhar (Efésios 2:8-9). Ninguém consegue criar vida espiritual em si mesmo por meio de uma escolha, assim como ninguém consegue perdoar os próprios pecados.
É aí que a expressão *regeneração decisional* recebe críticas. Se ela quer dizer que uma decisão humana, por si mesma, faz a pessoa nascer de novo, ela dá à decisão um poder que a Bíblia atribui a Deus. Também pode levar alguém a pensar: “Estou salvo porque fiz aquela oração”, sem considerar se de fato se arrependeu e está confiando em Jesus.
Por outro lado, é preciso cuidado pra não criticar toda fala sobre “decidir seguir Jesus” como se ela ensinasse a mesma coisa. Cristãos que reconhecem a Bíblia como autoridade concordam que a salvação depende da graça de Deus e que devemos crer em Cristo. Eles divergem sobre *como* a ação de Deus e a resposta humana se relacionam no novo nascimento. Alguns entendem que Deus primeiro dá vida espiritual à pessoa, capacitando-a a crer. Outros entendem que Deus age pela sua graça e chama a pessoa, que pode então responder com fé. Essa diferença não deve ser escondida, mas também não muda o convite claro do evangelho: arrepender-se e crer em Jesus.
E quanto a ir à frente numa igreja ou fazer uma oração? Essas ações podem ser maneiras sinceras de expressar fé ou de pedir ajuda. Elas não salvam por si mesmas. Uma pessoa pode ir à frente sem crer; outra pode crer em Cristo sem nunca ter participado de uma chamada ao altar. A confiança de quem busca a salvação não deve estar no momento em que levantou a mão, nas palavras que repetiu ou na força da própria decisão. Deve estar em Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou, e na misericórdia de Deus (Romanos 10:9-13).
Assim, a resposta mais simples é: você deve responder ao evangelho com arrependimento e fé, mas não é a cerimônia nem o mérito da sua escolha que salva. Deus salva por sua graça, por meio de Jesus Cristo.