A Reforma Suíça foi um movimento do século XVI que mudou a vida de muitas igrejas na região da atual Suíça. Seus líderes defendiam que os ensinamentos e as práticas da igreja precisavam ser examinados à luz da Bíblia. Por isso, várias cidades romperam com a Igreja Católica Romana. As duas cidades mais ligadas a essa história são Zurique, onde atuou Ulrico Zuínglio, e Genebra, onde João Calvino teve grande influência.
Não foi uma mudança que aconteceu de uma vez no país inteiro. Naquela época, os cantões suíços tinham bastante autonomia, e cada região tomou suas próprias decisões. Alguns aceitaram a Reforma; outros permaneceram católicos. Genebra, por sua vez, ainda não fazia parte da confederação suíça como faz hoje, mas se tornou um dos centros mais importantes da Reforma naquela região.
Em Zurique, Zuínglio começou a pregar mudanças por volta de 1519. Como Martinho Lutero fazia em outras partes da Europa, ele questionava práticas e ensinamentos da Igreja Católica. Mas a Reforma Suíça não foi apenas uma cópia da reforma iniciada por Lutero. Zuínglio desenvolveu suas propostas a partir da pregação da Bíblia em Zurique. Ele defendia que a salvação é recebida pela graça de Deus, mediante a fé, e não conquistada por obras religiosas — um ensino que também aparece em Efésios 2:8-9.
Uma das discussões mais importantes dizia respeito à Ceia do Senhor. Jesus deu pão e vinho aos discípulos e mandou que se lembrassem dele (Lucas 22:19-20; 1 Coríntios 11:23-26). Zuínglio entendia que o pão e o vinho eram sinais que ajudavam os cristãos a lembrar a morte de Cristo e a declarar sua fé nele. Por isso, rejeitava o ensino católico de que, na missa, eles se tornam o corpo e o sangue de Jesus.
Zuínglio também temia que a maneira de celebrar a missa levasse as pessoas a pensar que o sacrifício de Jesus precisava ser repetido. Para ele, a morte de Cristo havia sido suficiente e definitiva, como ensina Hebreus 10:10-14. É importante, porém, não confundir essa crítica com uma descrição exata do que a Igreja Católica afirma: a doutrina católica não ensina que Jesus morre de novo em cada missa. A discordância estava em como entender a presença de Cristo na Ceia e a relação da missa com seu sacrifício.
Essa questão também separou Zuínglio de Lutero. Os dois rejeitavam a explicação católica sobre o pão e o vinho, mas Lutero afirmava que Cristo estava realmente presente na Ceia de uma maneira que Zuínglio não aceitava. Eles se encontraram em 1529, em Marburgo, e concordaram em muitos pontos, mas não chegaram a um acordo sobre esse assunto.
As diferenças religiosas entre os cantões suíços também provocaram conflitos armados. Zuínglio morreu em 1531, numa batalha entre forças de Zurique e cantões católicos. A Reforma, porém, continuou. Alguns anos depois, João Calvino, um francês, passou a atuar em Genebra. Ele ajudou a organizar a igreja da cidade, pregou e escreveu obras que influenciaram cristãos muito além da Suíça.
Assim, a Reforma Suíça não foi obra de um só homem nem teve uma única forma. Ela começou em diferentes cidades, enfrentou resistência e deixou ensinamentos que continuam presentes em muitas igrejas protestantes. Sua preocupação principal era esta: a igreja deve ouvir as Escrituras e confiar na obra de Jesus Cristo para a salvação, em vez de tratar práticas religiosas como se elas pudessem salvar por si mesmas.