A Reforma Protestante foi um movimento que começou na Europa no século XVI para mudar ensinamentos e práticas da Igreja. Seus líderes defendiam que a igreja precisava voltar ao que a Bíblia ensinava, especialmente sobre uma pergunta decisiva: como uma pessoa é perdoada e aceita por Deus? O movimento acabou dando origem a várias igrejas protestantes.
Um dos acontecimentos mais conhecidos ocorreu em 1517. Martinho Lutero, que era monge e professor de teologia na Alemanha, escreveu 95 teses para discutir, entre outras coisas, a pregação das indulgências. Na época, elas eram apresentadas como uma forma de obter a redução de penas ligadas aos pecados, e sua divulgação estava associada à arrecadação de dinheiro. Lutero contestou essa prática. A tradição diz que ele afixou as teses na porta de uma igreja em Wittenberg; o que sabemos com segurança é que elas foram divulgadas e provocaram um debate que se espalhou rapidamente.
A discussão não ficou restrita às indulgências. Lutero e outros reformadores passaram a questionar quem tinha a palavra final sobre aquilo que os cristãos deveriam crer. Para eles, os ensinamentos e as tradições da igreja precisavam ser avaliados à luz das Escrituras. Também ensinavam que ninguém consegue conquistar a aceitação de Deus por mérito próprio: a salvação é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Jesus Cristo. É assim que Paulo explica a salvação em Efésios 2:8-9; ele também ensina que a pessoa é justificada pela fé em Cristo, e não por cumprir as obras da Lei (Gálatas 2:16). “Justificada” quer dizer considerada justa diante de Deus.
Essas ideias costumam ser resumidas em cinco expressões: somente as Escrituras, somente pela graça, somente pela fé, somente Cristo e glória somente a Deus. Elas ajudam a entender a mensagem da Reforma. A Bíblia é a autoridade decisiva para avaliar o ensino da igreja; a salvação vem da graça de Deus, não do nosso merecimento; nós a recebemos pela fé, não como pagamento pelas nossas obras; Jesus Cristo é o único Salvador; e o louvor pela salvação pertence a Deus. Isso não significa que as boas obras não importem. Efésios 2:10 mostra que elas fazem parte da vida de quem foi salvo, mas não são o preço da salvação.
Lutero não foi o primeiro a pedir mudanças na igreja. Antes dele, pessoas como John Wycliffe e Jan Hus já haviam criticado ensinamentos e práticas de seu tempo. No século XVI, outros líderes, como Ulrico Zuínglio e João Calvino, também participaram de movimentos de reforma. Eles não concordavam em tudo, e o resultado não foi uma única igreja nova. Surgiram diferentes tradições protestantes, entre elas a luterana e a reformada. A formação da Igreja Anglicana, na Inglaterra, também envolveu decisões políticas da monarquia, além de questões religiosas.
Portanto, a Reforma Protestante não foi apenas um protesto contra abusos. Foi uma discussão profunda sobre a autoridade da Bíblia, a vida da igreja e, acima de tudo, o evangelho: o que Deus fez em Cristo para salvar pessoas que não poderiam salvar a si mesmas.