Jesus ensinou que o casamento foi feito pra ser uma união duradoura, não algo que se desfaz por qualquer dificuldade (Mateus 19:4-6). Por isso, a Bíblia não trata o divórcio como uma solução comum pra problemas conjugais. Ao mesmo tempo, ela reconhece situações em que a continuidade do casamento foi gravemente comprometida.
A primeira situação é a infidelidade sexual. Em Mateus 5:32 e 19:9, Jesus apresenta a imoralidade sexual como uma exceção à sua proibição do divórcio. Isso dá ao cônjuge traído a possibilidade de se divorciar; não o obriga a fazer isso. Se houver arrependimento verdadeiro e condições pra reconstruir a confiança, o casal pode buscar a reconciliação. Mas a pessoa traída não deve ser pressionada a agir como se nada tivesse acontecido.
A segunda situação é o abandono por parte de um cônjuge que não segue a Cristo. Paulo diz que, se esse cônjuge quiser continuar casado, o cristão não deve se separar dele. Mas, se o incrédulo decidir ir embora, o cristão deve deixá-lo partir; nessa situação, Paulo diz que o irmão ou a irmã não está sujeito à servidão (1 Coríntios 7:12-15). Muitos cristãos entendem que isso permite o divórcio. Há diferenças de interpretação sobre o que essa passagem significa para um futuro casamento.
E quanto a agressões, ameaças ou abuso contra os filhos? A Bíblia não apresenta uma lista explícita dizendo se cada uma dessas situações constitui motivo para o divórcio. Isso, porém, não significa que alguém tenha de permanecer em perigo. Quem sofre abuso pode precisar sair de casa imediatamente, proteger as crianças e procurar ajuda das autoridades e de pessoas capazes de oferecer apoio. A segurança não deve esperar por uma decisão sobre o divórcio.
Cristãos divergem sobre como avaliar biblicamente um divórcio nesses casos. Alguns entendem que certas formas persistentes de abuso representam um abandono grave das responsabilidades do casamento; outros evitam afirmar que há uma permissão explícita pra se divorciar. Essa diferença precisa ser reconhecida com honestidade, sem usar a dúvida teológica pra mandar uma vítima voltar pra uma situação perigosa. Também não é correto exigir reconciliação apenas porque o agressor pediu perdão: palavras, por si só, não demonstram mudança nem tornam a convivência segura.
Portanto, as duas situações mais diretamente tratadas no Novo Testamento são a infidelidade sexual e o abandono pelo cônjuge incrédulo. Em outras situações graves, é preciso cuidado pra não apresentar como regra expressa aquilo que a Bíblia não diz expressamente. E, em qualquer caso, preservar o casamento nunca deve significar ignorar o pecado, encobrir a violência ou deixar alguém sem proteção.