A Bíblia não usa a palavra “racismo” como usamos hoje, mas seus ensinamentos são claros: a cor da pele, a origem e o povo de uma pessoa não a tornam menos digna de respeito, amor ou justiça. Tratar alguém como inferior por causa dessas características é contrário ao modo como Deus nos manda tratar as pessoas.
O primeiro motivo está no começo da Bíblia: Deus criou os seres humanos à sua imagem (Gênesis 1:26-27). Isso vale pra toda pessoa. Ninguém precisa pertencer ao nosso povo, ter a nossa aparência ou compartilhar os nossos costumes pra ter valor diante de Deus. As pessoas são diferentes entre si, mas nenhuma dessas diferenças dá a um grupo o direito de desprezar outro.
A Bíblia também diz que Deus não age com favoritismo (Deuteronômio 10:17; Atos 10:34-35). Pedro precisou aprender isso quando Deus o enviou à casa de Cornélio, um homem que não era judeu. Pedro entendeu que a origem de Cornélio não o impedia de ser acolhido por Deus. Se Deus não rejeita alguém por sua origem, nós também não podemos usar a origem de uma pessoa como motivo pra excluí-la.
Essa verdade precisa aparecer nas atitudes, não só nas palavras. Tiago repreende pessoas que recebiam com atenção um visitante rico, mas tratavam mal um pobre (Tiago 2:1-9). O exemplo é de discriminação por condição econômica, mas mostra um princípio que também se aplica ao racismo: não é certo decidir quanto respeito alguém merece pela aparência ou pela posição que ocupa. Amar o próximo inclui tratar cada pessoa com dignidade e agir com justiça.
Jesus também mostrou que diferenças entre povos não são motivo pra negar amor ao próximo. Na história do bom samaritano, ele apresentou como exemplo de cuidado um homem de um povo desprezado por muitos judeus daquela época. Foi esse homem que socorreu alguém ferido, enquanto outros passaram sem ajudar (Lucas 10:25-37). O ensino de Jesus não deixa espaço pra limitar o amor às pessoas do nosso próprio grupo.
Na igreja, isso tem uma consequência ainda mais profunda. Jesus morreu pra aproximar de Deus pessoas de todos os povos. Efésios 2:11-18 fala da reconciliação entre judeus e não judeus em Cristo: a antiga separação não deveria continuar produzindo hostilidade entre aqueles que agora pertencem a ele. Gálatas 3:28 ensina que todos os que estão em Cristo são um nele. Isso não apaga as diferenças entre as pessoas; significa que nenhuma delas torna um cristão mais importante ou mais aceito por Deus do que outro.
Por isso, quem percebe preconceito nas próprias atitudes precisa reconhecer o erro, arrepender-se e mudar a maneira de tratar os outros. E quem sofre discriminação não precisa fingir que a ofensa foi pequena ou aceitar que ela continue. A Bíblia chama os cristãos ao perdão (Efésios 4:32), mas perdoar não significa dizer que a injustiça foi correta, nem deixar de buscar proteção e justiça.
Em resumo, a Bíblia nos ensina a olhar pra cada pessoa como alguém criado à imagem de Deus. Racismo, preconceito e discriminação negam essa dignidade. Seguir a Cristo exige mais do que dizer que amamos a todos: exige respeito, justiça e disposição pra acolher pessoas mesmo quando são diferentes de nós.