Quando Pedro chama os cristãos de “raça escolhida”, ele não está falando de uma etnia nem dizendo que um povo é superior aos outros. Ele está dizendo que Deus reuniu pessoas de diferentes origens para serem seu povo por meio de Jesus Cristo.
Essa expressão fica mais fácil de entender quando lembramos de Israel. No Antigo Testamento, Deus escolheu os israelitas para serem um povo dedicado a ele e mostrarem às outras nações quem ele era. Essa escolha não aconteceu porque Israel fosse maior ou melhor que os demais povos, mas por causa do amor de Deus e da promessa que ele havia feito (Deuteronômio 7:6-8; Êxodo 19:5-6).
Pedro usa essa linguagem ao falar dos seguidores de Jesus (1 Pedro 2:9-10). Por isso, “raça escolhida” pode soar estranho hoje: ninguém passa a pertencer a uma nova etnia quando se torna cristão. O sentido é que essas pessoas, antes de origens diferentes, agora pertencem ao mesmo povo de Deus. Isso inclui judeus e não judeus. Paulo explica que Jesus aproximou os dois e fez deles um só povo (Efésios 2:14-16).
E por que Pedro lembra isso aos seus leitores? Porque muitos deles enfrentavam rejeição por seguirem Jesus. Mesmo que outras pessoas os desprezassem, eles podiam saber que Deus os havia acolhido. O próprio Pedro faz esse contraste: alguns rejeitaram Jesus, mas aqueles que nele confiam pertencem a Deus (1 Pedro 2:4-10).
Por fim, Pedro diz que esse povo foi chamado para anunciar o que Deus fez. Ser escolhido, portanto, não é motivo pra se achar melhor que ninguém. É motivo pra agradecer a Deus e tornar conhecida a sua bondade. A expressão fala de pertencimento e propósito, não de superioridade racial.