Raabe foi uma mulher de Jericó que protegeu dois espiões israelitas e, por isso, teve a vida poupada quando a cidade foi conquistada. A Bíblia diz que ela era prostituta. Também mostra que ela passou a confiar no Deus de Israel, mesmo vivendo numa cidade que seria destruída (Josué 2; 6:22-25).
A história começa quando Josué envia dois homens pra observar Jericó. O rei descobre que eles entraram na cidade e manda procurá-los. Raabe os esconde no telhado de sua casa e despista os homens do rei. Depois, explica aos espiões por que decidiu ajudá-los: ela tinha ouvido o que Deus fizera ao tirar Israel do Egito e ao dar vitória ao povo em outras batalhas. Por causa disso, reconheceu que o Deus de Israel era Deus tanto no céu como na terra (Josué 2:8-11).
Raabe então pede que, quando Jericó for atacada, sua família seja poupada. Os espiões concordam, desde que ela não revele a missão deles, coloque um cordão vermelho na janela e reúna seus familiares dentro de casa. Quando a cidade cai, Josué manda buscar Raabe e os que estavam com ela. Eles sobrevivem, e Raabe passa a viver entre os israelitas (Josué 2:12-21; 6:22-25).
O Novo Testamento ajuda a entender por que sua história é lembrada. Hebreus 11:31 destaca a fé de Raabe: ela acolheu os espiões em vez de agir como os demais habitantes de Jericó. Tiago 2:25 aponta pras atitudes dela. Ou seja, ela não apenas disse que acreditava no Deus de Israel; arriscou-se ao agir de acordo com essa fé. Isso não significa que a Bíblia aprove cada detalhe do que Raabe fez, inclusive o que disse aos homens do rei. O destaque dessas passagens está na fé que a levou a proteger os espiões.
Raabe também aparece na genealogia de Jesus. Mateus 1:5 a apresenta como mãe de Boaz, que mais tarde se casou com Rute. Assim, aquela mulher estrangeira, conhecida em Jericó como prostituta, passou a fazer parte da família da qual Jesus nasceu.
A vida de Raabe ensina algo simples e importante: seu passado não a impediu de confiar em Deus e ser acolhida entre o povo dele. A Bíblia não conta todos os detalhes de sua vida depois disso. Conta o suficiente, porém, pra mostrar que sua fé foi real e que Deus não a definiu apenas por quem ela tinha sido.